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O SANTUÁRIO CELESTIAL (PARTE 3)


AS DUAS ALIANÇAS  — Parte 3: OS RITUAIS DO SANTUÁRIO E O DIA DA EXPIAÇÃO 

​Olá, amigos!

​Na nossa série de estudos sobre as alianças bíblicas, já ficou devidamente esclarecida a relação entre os dois santuários: o terrestre e o celestial. Dando prosseguimento, buscaremos compreender os objetivos de ambos, examinando detidamente os aspectos do santuário terrestre. Dadas as similaridades entre eles, o modelo terreno nos dá uma noção exata do que ocorre em seu equivalente celestial.

​Na Terra, realizavam-se diversos rituais voltados à expiação de pecados. Entre eles, destacam-se dois fundamentais para o nosso estudo: as chamadas "ofertas contínuas" (diárias) e a "purificação do santuário" (realizada uma vez ao ano).

​Havia duas ordens de atuação sacerdotal: os sacerdotes comuns e o sumo sacerdote. As ofertas diárias eram ministradas pelos sacerdotes comuns no primeiro compartimento, o Santo Lugar. Já a purificação do santuário, ocorrida anualmente, era de responsabilidade exclusiva do sumo sacerdote e acontecia no segundo compartimento: o Santo dos Santos (ou Santíssimo).

​Existiam diversas modalidades de ofertas, variando conforme a gravidade da falta, a condição financeira ou a função social do ofertante. Contudo, a dinâmica básica era a mesma: o pecador colocava as mãos sobre a cabeça do animal, confessava sobre ele suas culpas e o sacerdote o imolava. Em seguida, o sacerdote tomava o sangue e o aspergia no santuário. Simbolicamente, os pecados eram transferidos do pecador para o animal e, deste, por meio do sangue, ficavam registrados no santuário. Esse ritual se repetia várias vezes ao dia.

​A cena pode parecer impressionante, e o objetivo era justamente esse: expor de forma drástica o caráter destrutivo da transgressão, despertando no povo uma profunda reflexão para evitar a reincidência no erro. Além disso, revelava o sofrimento pelo qual o Cordeiro de Deus passaria para absolver o pecador, demonstrando a retidão da justiça divina e o alto preço exigido por sua violação.

​Ao longo de um ano, esses registros de culpa acumulavam-se no santuário. Era necessário, portanto, um momento de "higienização" espiritual para apagar os resquícios que o haviam contaminado. Essa limpeza ocorria no cerimonial anual de purificação do santuário.

​A instrução divina detalhava esse momento:

​Disse o Senhor a Moisés: Dize a Arão, teu irmão, que não entre no santuário em todo tempo, para dentro do véu, diante do propiciatório que está sobre a arca, para que não morra... Entrará Arão no santuário com isto: um novilho para oferta pelo pecado e um carneiro para holocausto. Vestirá ele uma túnica de linho sagrada [...] são estas as vestes sagradas. (Lv 16:2-4)


​Até mesmo as vestes do sumo sacerdote precisavam ser purificadas e adequadas à solenidade. A congregação de Israel fornecia dois bodes para a oferta pelo pecado (Lv 16:5). Arão oferecia o novilho por si e por sua casa, e então lançava sortes sobre os dois bodes: uma para o Senhor e a outra para o bode emissário (Lv 16:6-8).

​O bode sobre o qual caía a sorte para o Senhor era sacrificado como oferta pelo pecado, e seu sangue era levado para dentro do véu:

​Assim fará expiação pelo santuário por causa das impurezas dos filhos de Israel e das suas transgressões e de todos os seus pecados. (Lv 16:16)


​O sacrifício desse bode tipificava o sacrifício de Jesus sob um prisma específico. Como escreve o apóstolo Paulo: "Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar" (Gl 3:13). Por ser imaculado, Cristo é representado pelo cordeiro; contudo, ao carregar sobre Si as culpas do mundo no Calvário, Sua entrega foi prefigurada na oferta pelo pecado.

​Sem esse processo de limpeza no encerramento do ano ritual, os pecados transferidos ao santuário não seriam definitivamente eliminados.

​O encerramento da liturgia é revelador:

​Havendo, pois, acabado de fazer expiação pelo santuário [...] fará chegar o bode vivo. Arão porá ambas as mãos sobre a cabeça do bode vivo e sobre ele confessará todas as iniquidades dos filhos de Israel [...] e os porá sobre a cabeça do bode, e enviá-lo-á ao deserto [...] Assim, aquele bode levará sobre si todas as iniquidades deles para terra solitária. (Lv 16:20-22)


​Simbolicamente, a responsabilidade final pelo mal era depositada sobre o bode emissário (Azazel), que os levava para o deserto — tipificando a remoção definitiva do pecado e o julgamento final sobre o originador do mal.

​A Aliança no Novo Testamento preserva o mesmo princípio fundamental da Antiga Aliança: a salvação pela fé. O sangue dos animais sacrificados não possuía poder intrínseco para salvar, mas apontava para o sangue do Filho de Deus. No instante em que Jesus bradou "Está consumado!" e o véu do templo se rasgou de cima a baixo, o sistema de sombras cumpriu seu papel e perdeu a vigência.

​No próximo capítulo, analisaremos como esses rituais do santuário terrestre se refletem no ministério de Cristo no santuário celestial.

​Que a graça do Senhor ilumine o seu estudo!

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