Pular para o conteúdo principal

O SANTUÁRIO CELESTIAL (PARTE 2)

Olá, amigos. Na segunda parte do levantamento sobre as duas Alianças Testamentarias em Cristo Jesus, propostas delinearmos, escrutinaremos primeiro a questão dos utensílios no Santuário e seu significado.
Faremos alusão apenas aos mais destacados, ainda que todos carreguem em si um sentido.
Lembrando sempre que conforme indica-nos as Escrituras, o tabernáculo erigido pelos Judeus no passado era uma réplica fiel do original situado nos Céus.(Hb.9:23 5:8) 
50 capítulos na Bíblia contém instruções ou informações sobre o Tabernáculo: 
13 em Êxodo; 
18 em Levítico; 
13 em Números; 
2 em Deuteronômio
4 em Hebreus.                  

O Tabernáculo era o local onde Deus se encontrava com Seu povo. (Ex.25:8 29:45) e prefigurava a perfeita aproximação de Deus com o pecador pelo sangue de Jesus Cristo que, em pessoa, "tabernaculou"entre os homens.           
(Jo.1:14 Hb.10:19,2)

Suas dimensões, por ordem divina, não deveriam ultrapassar nem mesmo em milímetros as medidas e posição geográfica.

A princípio, no deserto, foi construído na forma de tenda desmontável e transportável, sendo posteriormente reconstruído em definitivo por Salomão em endereço fixo.

O átrio, ou pátio, media 46X23 m; era cercado por cortinas de linho com 2,30 m de altura.    (Ex.27:9-19)
O Tabernáculo em si ocupava 1/15 de toda área, dividido em duas partes por um véu que, segundo o historiador Flavio Josefo, tinha 10 cm de espessura. A força de dois cavalos, atados puxando-o cada um para um lado não seria suficiente para rompe-lo. O motivo ligado à existência desse véu inspira um profundo sentido: sua consistência era sobremodo tão compacta e grossa, que o menor vestígio de luz e santidade irradiando nessa segunda dependência da edificação poderia vazar para fora, dizendo isso que tudo havendo ali era pertinente a ele e tão somente a ele. Nada ou ninguém poderia substituir-lhe. Expirando Jesus na cruz, este véu rasgou-se, de cima para baixo, demonstrando não ser obra de mãos humanas e também que tudo feito ali já tinha encontrado suas razões não sendo mais necessárias.
              
O primeiro compartimento chamava-se Santo Lugar e o segundo Santo dos Santos.(Ex.26:33)

Á frente da porta de entrada, ficava o altar dos holocaustos (Ex.27:1-8 38:-7) Neste, os sacrifícios de animais eram realizados, conforme o tipo de  sacrifício, -uma vez existirem variados ritos- e os restos mortais eram todos levados para fora do acampamento, e alí queimados.

Mesmo este aparentemente insignificante detalhe, dá a ele sentido o apóstolo Paulo. Observem suas palavras: "Possuímos um altar do qual não tem direito de comer os que ministram no tabernáculo. Pois aqueles animais, cujo sangue é trazido para dentro do Santo dos Santos, pelo sumo sacerdote, como oblação pelo pecado, tem os seus corpos queimados fora do acampamento. Por isso que também Jesus, para santificar o povo, pelo Seu próprio sangue, sofreu fora da porta"(Hb.13:10-12)  Ou seja: A morte de Jesus ocorreu fora de Sua habitação celeste e também fora dos muros da cidade de Jerusalém, onde à época situa-se o templo.  

Posteriormente abordaremos esta questão exclusivamente  dissecando um a um os seus simbolismos.

Entre o altar dos holocaustos e a porta do santuário ficava uma pia de bronze com espelhos. (Ex.30:17-21 38:10) 
Os sacerdotes antes de ministrarem seu ofício, obrigatoriamente, sob pena de rejeição e mesmo de morte, deveriam lavar-se na água nela contida.     
Tal cerimônia inquestionavelmente representava de modo límpido a importância do atual batismo nas águas. "Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado... Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados..."                  (Mc.16:16 At.2:38)

No primeiro compartimento, ou Santo Lugar, posta á direita da entrada ficava uma mesa onde eram postos os pães da proposição, em número de doze,  e deveriam ser isentos de fermento, sendo substituídos à cada Sábado.                  (Ex.25:23-30 Lv.24:5-9) 

Para estes pães e quantidade o sentido é profundamente significativo, não somente aos Hebreus mas igualmente aos que vivem sob a dispensação evangélica.
Aos Israelitas estes pães postos perante Deus, reprentava as doze tribos, ou estados, formando a nação, demostrando também que era o Senhor quem lhes supria as suas necessidades.
 
Aos cristãos atuais o emblema é ainda mais relevante: Pão simboliza doutrina verdadeira em Jesus, o único salvador. 

Comparemos os textos a seguir "Então o tentador, aproximando-se, Lhe disse: Se és filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães. Jesus, porém, respondeu: Está escrito: Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus. Achadas as Tuas palavras, logo as comi; as Tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo Teu nome sou chamado, ó Senhor dos Exércitos" (Mt.4:3,4 Jr.15:16) Admoestou Jesus á Seus discípulos"...Acautelai-vos do fermento dos fariseus e saduceus...Então entenderam que não se que se tratava de precaução quanto ao fermento de pães, mas sim da doutrina dos fariseus e saduceus"(Mt.16:6-12) "Declarou-lhes, pois, Jesus: Eu sou o pão da vida; o que vem a Mim, jamais terá fome; e o que crê em Mim, jamais terá sede... Tu tens as palavras da vida eterna" (Jo.6:35,68)                                      O quantitativo ainda inspira outros ensinos Bíblicos: Os doze apóstolos; as doze portas da Nova Jerusalém, etc.

Os pães postos de contínuo á presença divina e assim apreciados, são demonstrações da gratidão constante por Suas mercês e apreciação pela verdadeira doutrina da salvação em Jesus.

Á esquerda da porta de entrada do primeiro compartimento do santuário estava o candelabro de ouro com suas sete lâmpadas. (Ex.25:31-39 37:17-24)
Sobre esta peça repousa uma infinidade de sentidos. Nos relatou João a sua visão do santuário celeste neste molde: "Do trono saem relâmpagos, vozes e trovões, e diante do trono ardem sete tochas de fogo,que são os sete espíritos de Deus"(Ap.4:5)

Encontramos portanto na própria Bíblia a          auto explicação do significado destas sete lâmpadas. O ordinal simplesmente não indica existência de sete espíritos mas, simbolizando profeticamente totalidade e perfeição representa a ação onipresente do Espírito Santo que se encontra em todo lugar e tudo vê. Comparem: "Para onde me ausentarei do Teu Espírito? Para onde fugirei da Tua face? Se subo aos céus,  lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; Se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares:ainda lá me haverá de guiar a Tua mão e a tua destra me susterá" (Sl.139:7-10) 
No santuário esse candelabro com suas sete luzes eram alimentadas com azeite puro, que também é uma analogia usada para definir o Espírito Santo, e iluminava aqueles ministrando no recinto. Tipifica claramente a ação inspiradora e imprescindível do Espírito de Deus sobre os homens, orientando-os.

À frente da cortina de separação entre os dois cômodos e que delimitava o acesso ao Santo dos Santos, ficava o altar do incenso (Ex.30:1-10 Hb.9:4)  Nele o incenso era queimado pela manhã e ao entardecer, quando o sacerdote preparava as lâmpadas do candelabro. 
João avistou também no santuário celestial  presença deste altar "Veio outro anjo e ficou de pé junto ao altar, com um incensário de ouro, e foi-lhe dado muito incenso para oferece-lo com as orações de todos os santos sobre o altar de ouro que se acha diante do trono; e da mão do anjo subiu á presença de Deus a fumaça do incenso, com a oração dos santos" (Ap.8:3,4) 

Observe-se que os incensários de ouro existentes no santuário terrestre (2Cr.4:22) chamaram a atenção de João por estarem presentes também no santuário celeste. 

O fato do altar se achar  diante do Santo dos Santos significa estar á frente do Todo poderoso:
e o incenso queimado sobre ele representa as orações de intercessão e louvor dos santos, dirigidas á Inefável Majestade do universo "...Prostraram-se diante do cordeiro, tendo cada um deles uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos"(Ap.5:8)

Finalmente adentramos ao Santo dos Santos. Um ambiente de extrema reverência e absoluta solenidade. Afinal, ali acha-se, acima de qualquer outro lugar, a presença do Soberano do cosmos; o Valoroso Príncipe Miguel; o Alfa e o Ômega; o Salvador Amado... O qual é digno da mais alta gratidão, louvor,  admiração e respeito de todos os seres existentes neste tão vasto universo: Jesus, o nosso Rei!!!  Naquele sagrado local encontrava-se a arca na qual estavam depositadas as duas Taboas dos Dez Mandamentos. (Ex.25:10-22) João em suas visões lhes visualizou armazenadas no céu. "Abriu-se, então, o santuário de Deus, que se acha no céu, e foi vista a arca da Aliança no Seu santuário...(Ap.11:19)

Sobre isto nos ateremos posteriormente, ao abordarmos a questão específicamente.

Concluímos a partir deste ensino nos fornecido pelas Sagradas Escrituras, que o Evangelho pregado na dispensação cristã o foi igualmente pregado na dispensação Mosaíca, apenas com a diferença de ter sido ensinado sob outro formato.

No próximo capítulo será enfatizado os rituais realizados no santuário terrestre tipificando a obra realizada no celestial.  

Extrairemos verdades sobre os dois santuários ligando Antiga e Nova Aliança. certamente surpreendendo muitos leitores.

Por ora nossa oração é que o Espírito santo ilumine a cada ser que acompanha estas publicações, fazendo com que seu caminho seja pelo Salvador Jesus plenamente abençoado. Amém!



















Comentários

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

EXTREMA DIREITA E A BÍBLIA

A fulminante expansão da atual extrema direita no mundo é mera coincidência, ou este cenário de crescimento, irrefutavelmente comprovado, tem fundamentação em aspectos reproduzindo algo ocorrido em algum tempo passado, vindo turbinar essa orientação de pensamento?  Convém ser salientado que o fascismo  é um sistema político e ideológico autoritário surgindo na Itália após a Primeira Guerra Mundial (1919), liderado por Benito Mussolini . Sua base sustenta-se em pilares ultranacionalistas, antiliberais e antissocialistas, focados na construção de um estado totalitário. Base Ideológica e Estrutural do Fascismo,  Totalitarismo e Estatolatria:               O Estado é supremo e a autoridade absoluta, conforme a frase "Tudo no Estado, nada contra o Estado, e nada fora do Estado".          Ultranacionalismo:                               ...

O SANTUÁRIO CELESTIAL (PARTE 4)

Olá,amigos. No capítulo anterior estudamos os rituais realizados no santuário terrestre. Recinto emblemático, obra de magnífica destreza intelectual do Deus Altíssimo, viabilizando através da leitura nos seus cerimoniais um  vislumbre do céu onde é operado por Jesus a redenção do homem transgressor. Sim! Com estilo de escrita explícita não encontra-se na Bíblia versículos específicos ilustrando o tema; mas, nas alegorias do santuário exibe-se o desenvolvimento do plano de salvação. Em via dessa sublime catequese Bíblica, o interesse em estuda-la de modo correto representa o desejo que se rende à inefável graça divina  consentindo aos filhos sinceros possibilidade de conhecer parte tão importante no Céu. Neste artigo, o quarto da série, analisaremos textos sagrados referentes a ordenanças outorgadas aos Israelitas e que, sob figuras, manifestam o ministério de Jesus no santuário celeste. Conforme estudo anterior (* Ver capítulo 3 ), este tabernáculo terrestre, uma vez a ca...

O SANTUÁRIO CELESTIAL.(Apresentação)

Olá,amigos. Um tema Bíblico fundamental, desconhecido e ignorado por expressiva parcela da cristandade, diz respeito ao santuário existindo no céu. Neste local efetivamente se desenvolvem ações com magnitude transcendental, dentro de um plano desenvolvido  em resgate do homem pecador. Uma vez que o pecado, na sua maligna hediondez, alienou do reino eterno o seu praticante; pois o seu salário, ou as suas consequências, redundam em morte.    Para a reintegração de posse daquela herança, por origem estendida a todos, uma aliança com base n o salvífico sangue derramado por Jesus na cruz do Calvário foi ratificada, havendo de restaurar a ponte entre humano e divino. Não raro se ouve explicações sobre Antiga e Nova Aliança compostos em elementos totalmente desconexos, infligindo fatais desatinos à percepção. Alcançando-se entendimento perfeito sobre os elos que as interligam, qualquer resquício de dúvida envolvendo a doutrina  da remissão será varrido da mente, iluminan...