A fulminante expansão da extrema direita ultra radical nos últimos anos é mera coincidência, ou este cenário de crescimento, irrefutavelmente comprovado, tem fundamentação em aspectos reproduzindo algo já existido, inspirando base para essa orientação de pensamento?
História substancialmente se compõe de apontamentos registrando episódios sequenciais dentro do curso do tempo, singularidade habilitando-a à proficiente campo para estudos. Com circunscrição localizada no passado exige regresso nele para sua compreensão.
E se houvesse uma súmula atendendo idêntica aplicabilidade, mas que, entretanto, tivesse sua formulação remetendo-se a eventos pertencentes ao futuro? Pois ela existe!
Este artigo deveria ser lido por céticos e, além destes, talvez mais necessariamente por aquela classe de indivíduos postulando- se "religiosos conservadores", ideologicamente alinhados aos conceitos pertinentes à ala política identificada pela tarja "extrema direita".
Adianto que o capítulo 13 de Apocalipse sempre intrigou profundamente meu espírito, incitando-me muitas indagações. Dediquei a ele extensas 4 décadas debruçado em averiguações na perspectiva de lhe esquadrinhar.
Até por volta de uns 8 anos, cria piamente encontrar-se o cumprimento de predições constantes nesse emblemático enredo fixadas num futuro remoto.
Pensava assim.
Deste tempo para cá, como que despertando de uma "letargia da percepção" e observando mais detidamente os rumos pelos quais o circuito associativo humano passou conduzir-se, perplexa-me constatar embutida neste formato de postura escancarada confirmação daqueles anunciados que presumia localizarem-se longinquamente adiante de nós.
Comparando elementos da literatura bíblica com estas filosofias comportamentais, entendi serem ministrações pares, unilaterais, ou seja: aquilo documentado milênios antes de nós encaixa-se tão perfeitamente à realidade atual que parecem mesmo manchetes de noticiários publicando acontecimentos recorrentes ao estilo dos nossos dias.
Por isso a disposição de apresentar aqui um pequeno compilado de tais ponderações, sintetizando-o ao máximo possível, haja visto ser tema de vastidão infinitamente ampla.
O "marco zero", ponto de referência para onde significativa parte da redação profética se canaliza, especialmente Daniel e Apocalipse, situa-se no século quarto da nossa era destacando-o como centro em que naturalização e legalização da mentira atinge grau incomparavelmente elevado.
É a situação ocorrida ali, naquele específico espaço entre datas, o que concorre para as motivações levando Daniel confeccionar seu livro, e os acontecimentos à partir de então inspiram objetivos para os apontamentos na obra com autoria de João.
Mas o que de concreto se pode extrair relativamente a solene ênfase dada pelos dois profetas sobre o referido período possibilitando-o servir de bússola a todo pesquisador autêntico e verdadeiramente comprometido com os princípios e primórdios da realidade fática? A conclusão irrefutável é que jamais em qualquer outro momento da catalogada história humana religião e política estiveram intrinsecamente tão bem fundidas, num arranjo perfeito no que tange o controle das massas.
Vamos aos fatos. Todo o conjunto englobado pelos escritos de Daniel fundamenta-se sobre o sonho de Nabucodonosor, em paralelo com as figuras de 4 animais avistadas pelo autor. Ambos os enfoques refletem um mesmo significado, com a diferença de parâmetro estabelecendo que, competências derivadas do poder secular aos olhos dos homens apresentam-se sob o atrativo de metais preciosos (elementos compondo a estátua no sonho do rei) enquanto estas mesmas ordenações, ao julgamento divino
correspondem -como em realidade o são- a feras sanguinárias e vorazes. Violentas e mortíferas.
Destituídas de princípios de valor humanitário.
Ambas as predições vão sendo lavradas, gradativamente descrevendo a transição do poder universal absoluto, desde o apogeu da Babilônia dos anos 600 aC. à fragmentação do império romano ocorrida em 476 aD. quando resulta desta divisão o espaço territorial demarcado por países dando vulto ao que se compreende hoje como sendo o continente europeu (Os pés com seus dez dedos naquela imagem sonhada por Nabucodonosor)
Os tais sucedidos recebem de eruditos no assunto conversão lhes talhando a eventuais consequências, ou seja: mero resultado de conquistas militares, fortuitos e restritos à sua localização; ao passo que na perspectiva dos profetas cada um deles são degraus sendo galgados rumo a um fim consequente. Os aludidos incidentes circustanciaram a esfera de atuação romana, e desta, a impulsão de influências que viriam determinar qualidade em episódios posteriores.
Na ordem dos 4 países acendendo ao dominio do mundo, (1) Babilônia 600 aC (2) Medo-Persia 538 aC (3) Grécia 338 aC (4) Roma 168 aC, o quarto deles possuía peculiaridades diferenciando-o dentre os demais.
Daniel com estas palavras as retrata: "Grande é o seu poder, MAS NÃO POR SUA PRÓPRIA FORÇA... Por sua ASTÚCIA nos seus empreendimentos FARÁ PROSPERAR O ENGANO... destruirá muitos QUE VIVEM DESPREOCUPADAMENTE "
(Dn. 8:24,25)
É fato consumado que governantes seculares, na sua expressiva maioria, desde sempre tomam uso da retórica do animismo de modo que ligue as multidões a si, muito especificadamente aquelas integrantes de camadas mais singelas culturalmente; porém nenhuma se sobrepõe ao império romano nesse sentido. Os césares se albergavam sob a capa de semideuses, transmitindo essa ideia. Exponencialmente muito mais que através da competência bélica ou atributos de uma boa terra, as ideologias místicas alimentavam o nacionalismo dos exércitos e do povo comum, seduzindo-os à idolatria das insígnias da pátria e seus dirigentes qual fossem estes os exclusivos esteios de todo sucesso obtido como grupo organizado.
É preciso salientar que
o notório ódio romano contra o cristianismo baseava-se no temor que este iluminasse a mente do povo, despertando-o quanto às ilusões dos templos pagãos, cabresto da afeição e lealdade dos súditos. Aliás, receio este sentido também pelos escribas e sacerdotes judeus relativamente aos ensinos e exemplos de Jesus, culminando na trama que levou ao Seu enjambrado julgamento e consequente condenação.
Adentrando os anos 300 da nossa era, jazia o anteriormente pujante império das sete colinas em bancarrota total. Seus cofres públicos totalmente esvaziados e sua população comum penando em miséria atroz, asfixiada sob alta taxa de impostos cobrados pelo governo afim de bancar sua opulenta elite.
Muito dinheiro havia sido dispendido em campanhas militares empreendidas contra o proscrito seguimento cristão e também na defesa do seu território combatendo incursões de tribos bárbaras ao derredor, o que implicava no empobrecimento geral da nação.
Foi sob tais circunstâncias que em 25 de julho de 306 subiu ao trono o mais sagaz de todos os políticos provavelmente já havidos: Constantino, o Grande.
Herdando um reino cujo mal maior concentrava-se na dispersão e divisão das suas castas, logo percebeu uma alternativa possível ser empregada ao cumprimento dos seus ideais de grandeza romana. Á partir daqui dá-se início aos prenuncios do Apocalipse de João, mais particularmente o seu capítulo 13.
Três antecedentes, nessa nova feição repaginando a história, assombra o profeta ao evidenciarem no gênero humano seu incomensurável grau de suscetibilidade às influências das mentiras e enganos, e o quanto esta disposição mental pode atuar moldando sua personalidade: (1) Até este ponto no curso do tempo sangue cristão era derramado vítima de partidarismo de cunho pagão, mas absurdamente agora este mesmo sangue permanece vertendo, porém através de ações de tráfego notadamente cristão. Não eram mais os pagãos que levantavam contendas contra os cristãos e sim cristãos dizimava outros cristãos. (2) A jurisdição até aqui repugnada e denunciada pelos da fé de berço evangélico passa-lhe ser objeto de veneração. Esta mesma confluência ideológica que até então os submetiam a angustiantes torturas recebe deles agora total devoção, inclusive sua adesão a cultos e métodos.
(3) Dentro de toda essa sistemática dando corpo ao referido contexto, surge em cena um quinto animal, que valendo-se dos mesmos artifícios adotados pelos 4 antes dele finaliza a obra por eles iniciada. Por isso o detalhamento dado pelo campo profético acerca do império romano do século quarto e suas anômalas diretrizes. Alusivas a ele depreende-se às ações pertinentes ao seu sucessor.
O perspicaz Constantino notou no cristianismo uma oportunidade favorecendo angariar apoio público para sua gestão governamental, uma vez reter este ramo de crença a preferência majoritária no meio do povo, adentrando inclusive ao próprio palácio. Sutilmente legaliza o cristianismo tornando-o religião oficial do estado. Neste intercâmbio foi que muitas patranhas se inseriram na essência do evangelho inaugurado por Jesus e Seus 12 apóstolos, descaracterizando-o em essência quase que por completo, com excessão à doutrinas convenientes ao plano em andamento. Unificando-se paradigmas de origem pagã e cristã surge ali uma nova ortodoxia, um pseudo cristianismo, promovendo uma revolução na história da vida nesse planeta.
O que consequentemente provém à partir de então: martírios, perseguições, execuções, execração dos valores morais, éticos, humanitários, espirituais... equivocadamente por pesquisadores são deferidos como absolutamente oriundos de moção religiosa, mas a Bíblia, no Seu espectro profético, veementemente denuncia nunca haver ter se tratado simplesmente de religião e sim de sectarismo político maquiado e camuflado à sombra da fé nos afins de enredar a introspecção das pessoas, e por meio dessa manobra sua incondicional e irrestrita anuência. O jargão "Roma eterna" efetivamente se concretizou, não mediante o jugo das armas, porém sob a fascinação da credulidade cega.
Passemos agora ao dito quinto animal buscando esclarecimentos sobre sua natureza e procedimento ligando-o ao seu antecessor.
Alguns aspectos simbólicos que o descreve, pontuados pelo autor, facilitam ser diagnosticado sem margem para equívocos.
João o vê "emergir da terra", assertiva inconfundível uma vez que os 4 grandes impérios anteriores "surgiram do mar" (símbolo profético aplicado à tribos e povos) atestando que o nascimento destes se dá mediante a conquista através do emprego das armas. Uma nação ia se sobrepondo a outra mediante guerras travadas e vencidas.
Vem a indagação: Qual país no mundo, contando-se à partir de 600 aC. aparece numa listagem de monopólios universais não segundo aquele método tradicional de suplantar adversários?
Resposta de acordo com os anais históricos: Os EUA.
Este foi colonizado por imigrantes provindos da Europa, em fuga às perseguições religiosas empreendidas pelo papado de Roma. Eis sua natalícia origem. Por isso a expressão "emergir da terra". Não desponta no cenário global em meio ao vozerio do conflito, mas na quietude da calmaria.
Estava munido com dois chifres, símbolo profético que conota formas de governo na administração do poder. A besta significando Roma continha 10 pontas, evidenciando as dez formas governamentais com as quais foi gerida pelo decurso da sua trajetória. No caso deste novo elemento esta particularidade é um pormenor relevante na sua identificação.
A constituinte americana assenta-se sobre dois pilares essenciais: republicanismo e protestantismo.
Sua primeira emenda tem por objetivo a preservação da liberdade de expressão enquanto a segunda prevê a autodefesa e soberania relativamente aos direitos dos cidadãos. Em tese deveria ser um estado sem coroas, republicano, cujo governante acenderia ao posto máximo numa expressão que confirma a vontade da maioria; e uma nação sem papas, onde cada qual seguiria suas inclinações devocionais conforme lhe aprouvesse. Estas foram as duas primeiras e principais diretrizes reputadas como primordiais quando elaborada foi sua legislação. Os dois chifres na figura profética.
Este personagem "tem aparência de cordeiro" Obviamente não se faz necessário recordar que o sugestionado emblema veicula a religiosidade cristã. Seria um organismo escudado na aparência de justiça e mentoria, como de fato se auto rotula o perfil nacionalista americano, intentando sempre impor ao mundo seu ideal de perfectibilidade e superioridade.
No conjunto da obra acha-se inserido um paradoxo, o que lhe evidencia seu caráter matreiro. Embora estando ali esboçado um estereótipo de cordeiro, o que por equivalência transmite a ideia de candura, este mesmo "falava como dragão". O termo dragão novamente aqui pretende atrair a atenção para o campo envolvendo a esfera eclesiástica. Note:se: O capítulo 12 menciona 2 bestas (dragões) afim de representarem o império romano, e isso, sob suas duas fases ideológicas: pagã e papal, e correspondente conduta. Na sequência do relato, este suposto cordeiro "diz aos que habitam sobre a terra que façam uma imagem à besta, aquela que, ferida à espada, sobreviveu" O que pode-se depreender dessa locução à luz de eventos impressos na história? No dia 11 de fevereiro de 1798 forças napoleônicas francesas, sob comando do general Berthier, ocupam Roma, capturam o papa Pio Vl e o levam prisioneiro para a França onde morre em 1799. Este foi um golpe impactante à cúria da Sé da catedral de São Pedro, uma vez que, desde sua instituição por Justiniano em 538, esta exerceu influência sem precedentes sobre as monarquias mundiais. Elevava ao trono e depunha imperadores conforme lhe aprouvesse. Bastava estes não cumprirem suas vontades.
Era esta a imagem (caráter e personalidade) de Roma. Desde aquilo referido às suas pretensões de poder quanto a fórmula empregada na sua obtenção. Novamente enfatizando que -os 1.260 anos de supremacia papal (538-1798) periodo no qual a arte, ciência, desenvolvimento humano em todas as suas matizes ficaram estagnados qual fossem maldições para o planeta e seus habitantes- germina em 306 através de melindres onde a ambição pelo poder maquia de dogmas religiosos um sistema político e alcança pleno êxito nessa empreitada. Matreiros vigaristas confeccionam um meio de publicidade, com base na fraude, moralizando a imoralidade, descredibilizando a veracidade, licitando o ilícito e destruindo reputações; vestindo-se da áurea de piedade e usando maliciosamente o nome de Deus em elaborados discursos conseguiam assim capturar a simpatia de ingênuos ignorantes. Fossem aqueles os atuais dias modernos e teriam sido feito uso das Big Techs e suas escancaradas portas por onde escoam livremente as famigeradas fake news, apodrecedoras de percepções, e os resultados teriam sido ainda mais criminosos.
É este o grande alerta do capítulo 13 de Apocalipse, advertindo que toda essa sistemática é revitalizada pelo animal representando os Estados Unidos da América. De que maneira? Exatamente aproveitando-se do espectro religioso nesse sentido. É irrefutável o uso da beatitude pela extrema direita. Jargões tipo "Deus, pátria e família" são lemas utilizados no intuito de enredar os incautos. Nesse raciocínio convém lembrar que cerca de 99% das denominações evangélicas espalhadas na terra tem sua genética ligada aos EUA. Ou são nativas, ou intrinsecamente atreladas aos estadunidenses. Com parentesco via correntes do pentecostalismo e sua gama de teologias, adeptos somam número de bilhões.
A referida organização mantém articuladores em todos os quadrantes do planeta, especializados em disseminar desinformação. Dispondo da tecnologia digital, as redes sociais adequam-se com perfeição ao transporte veloz e abrangente do seu pirata negacionismo.
O referido país foi sempre considerado exemplo de democracia, mas o relato profético adverte que as coisas não o são exatamente assim. Ou não permaneceriam assim para sempre. Ele, e suas ramificações espalhadas por todo perímetro do globo terrestre, implanta, mediante o uso da força um certo sinal (tema para outro artigo) que há de distinguir classes, marginalizar pessoas, todos a não compactuar com certas filosofias.
Com etiqueta estampada em estereótipo de cordeiro,
conforme agiu Constantino e sua engrenagem política, aquela antiga ordem mundial reedita agora a cartilha comportamental que por longos 12 séculos contaminou a humanidade com seu hálito: sedutora, arguta, perspicaz. Arrombadora dos ditames de consciência; perseguidora daqueles que ousam pensar diferente e assim contrapondo- se a ela.
Novamente está em curso o outrora empregado método de execrar reputações lançando-lhes à marginalização nos seus direitos civis e devocionais. Mais uma vez a verdade divina e seus conscienciosos observadores são criminalizados.
Resta apenas a legalização de ordens nesse sentido.
A mentira, habilidosamente traquejada por velhacas raposas, restaura um circuito dizendo-se defensor da piedade cristã e está tomando conta do mundo.
Os púlpitos e a homilia neles ardilosamente propaladas, refletem a vil condição de palanque eleitoral. O evangelho pelo qual Jesus tanto lutou e que em defesa de sua originalidade milhares padeceu o indizível suplício das fogueiras e rodas de tortura, como na idade média virou moeda de troca e aparelho condutor ao poder secular.
Daqui a bem pouco tempo eles se revelam na sua indolente essência.
Pra fechar fica aqui uma admoestação constando no livro de Apocalipse e que parece ser bem oportuna: "quem ler, entenda! Quem tem ouvidos para ouvir, ouça"