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OS SETE SELOS (Introdução)

                                   
        

​OS SETE SELOS

​Introdução ao Conflito Certo e À Vitória Revelada

​NAS CONSIDERAÇÕES ANTERIORES sobre as sete igrejas da Ásia, integrantes da série "Apocalipse Passo a Passo", avançamos até a análise da quarta igreja (Tiatira), marco que nos remete historicamente ao ano de 1798 d.C.

​Faremos agora uma breve pausa na dissertação direta desse grupamento específico para explorar, no livro de João, outras profecias cronologicamente paralelas. Essa abordagem funciona como um reforço bíblico essencial, enriquecendo com detalhes adicionais os eventos que envolvem o Evangelho da graça de nosso Mestre e Salvador, Jesus, ao longo dos últimos dois milênios.

​Essas referências complementares oferecem uma mudança de perspectiva visual: enquanto as cartas às sete igrejas desvendam a história sob o prisma religioso e espiritual, a profecia dos selos enfatiza a catalogação histórica sob o âmbito político e secular.

​O Livro na Mão do Supremo Juiz

​Para compreender o cenário, observemos como o apóstolo João inicia o seu relato:

​"Vi na mão direita daquele que estava sentado no trono um livro escrito por dentro e por fora, selado com sete selos..." (Apocalipse 5:1)


​Voltaremos a detalhar a estrutura desse trono em momento oportuno, conforme descrito no capítulo quatro. É importante notar que, embora esse versículo abra o capítulo cinco, ele não inaugura uma cena isolada, mas dá continuidade direta à sequência de acontecimentos iniciada no capítulo anterior.

​A expressão "Aquele que se assentava no trono" refere-se, evidentemente, a Deus, o Pai, visto que nos versículos seguintes o Filho é introduzido sob a figura de "um Cordeiro, como havendo sido morto" (Ap 5:6).

​O livro na mão direita do Pai contém a revelação das cenas que moldariam a história da igreja até o fim dos tempos. O fato de o manuscrito estar retido na mão do Supremo Soberano simboliza que somente Ele detém o conhecimento pleno do futuro — cabendo-Lhe o direito exclusivo de revelá-lo a quem desejar.

​Na época do apóstolo, os livros não possuíam o formato moderno de páginas encadernadas; eram rolos de pergaminho ou papiro enrolados em hastes de madeira. Daí a expressão "escrito por dentro e por fora" (ou no verso), indicando a abundância de informações registradas.

​À medida que o capítulo avança, Jesus é apresentado como o único ser digno de tomar e abrir esse livro, em razão da Sua vitória na cruz.

​A Simbologia dos Sete Selos e a Vitória de Cristo

​Ao dar início à abertura do documento, João registra:

​"E havendo o Cordeiro aberto um dos selos, olhei, e ouvi um dos quatro seres viventes dizer, como em voz de trovão: Vem e vê! E olhei, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele tinha um arco; e foi-lhe dada uma coroa, e saiu vitorioso, e para vencer." (Apocalipse 6:1-2)


​A título de compêndio, vale reforçar um detalhe crucial sobre a natureza desse livro: ele estava lacrado com sete selos.

​Na linguagem bíblica, o número sete representa plenitude e perfeição. Essa mesma simbologia se aplica ao "Cordeiro como tendo sido morto", descrito como possuidor de "sete chifres e sete olhos, que são os sete espíritos de Deus enviados por toda a terra" (Ap 5:6).

​Portanto, o fato de o livro conter sete selos revela não apenas a perfeição da revelação divina, mas também a sua plenitude: o texto abrange, de forma detalhada e gradativa, a totalidade do conflito entre o bem e o mal ao longo de toda a Era Cristã, estendendo-se até o fechamento da porta da graça.

​A Linguagem Profética e a Incoerência dos Críticos

​Outro ponto que merece esclarecimento é o ato do Cordeiro ao tomar o livro da mão direita daquele que estava sentado no trono (Ap 5:7).

​Quando o adversário busca semear dúvidas na mente humana, ele frequentemente introduz argumentos artificiais. Sem uma análise criteriosa e fundamentada nas regras de interpretação bíblica, tais objeções podem conduzir o leitor a conclusões equivocadas.

​Alguns comentaristas apontam uma suposta "incongruência" no relato, questionando como um "cordeiro" poderia estender a mão para pegar um livro. Para se esquivarem dessa aparente dificuldade, recorrem a malabarismos teológicos desnecessários.

​A solução é simples: a linguagem do Apocalipse é metafórica e apocalíptica. Trata-se de um recurso literário em que o símbolo representa a pessoa que executa a ação. É indiscutível que o Cordeiro simboliza a pessoa de Jesus Cristo. Não há, portanto, qualquer incoerência em compreender que o ato de tomar o livro não foi executado por um animal literal, mas por Aquele a quem o símbolo representa — o Cristo ressurreto e glorificado.

​Nos próximos estudos desta série, abordaremos cada um dos sete selos individualmente, explicitando seus reais significados e desdobramentos na história humana.

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