"E olhei, e eis um cavalo branco: e o que estava assentado sobre ele tinha um arco; e foi-lhe dada uma coroa, e saiu vitorioso, e para vencer" (Ap.6:2)
Depois de apanhar o livro, o Cordeiro procede imediatamente a abertura dos seus selos.
A atenção do apóstolo se volta para as cenas ocorridas sob cada um deles.
O primeiro símbolo, um cavalo branco e seu cavaleiro com um arco, a quem foi dada uma coroa e que saiu vitorioso e para vencer, representa adequadamente os triunfos do Evangelho no primeiro século da era cristã, harmonizando-se á descrição da mensagem que foi dirigida para a igreja de Éfeso 33-100 a.d
Não haveria um modo melhor para ilustrar os aguerridos princípios tomados pela igreja primitiva no combate aos vários sistemas de erros com que se deparou em seus dias.
A alvura do cavalo representa a pureza da fé daquele tempo.
A coroa dada ao cavaleiro e o fato dele avançar vitorioso traduz o zelo e o sucesso com que a verdade de Deus foi proclamada pelos ministros daquela igreja.
O cavaleiro saiu... Mas saiu para onde? Sua missão era ilimitada.
O Evangelho era para todo o mundo; e de fato aconteceu: Os apóstolos e seus seguidores levaram a Palavra de Deus para todos os confins habitados da terra á época.
"E havendo aberto o segundo selo... E saiu outro cavalo, vermelho; e ao seu cavaleiro foi-lhe dado tirar a paz da terra para que os homens se matassem uns aos outros; também lhe foi dada uma grande espada" (Ap.6:3,4)
Deve ser notado na cena, quando analisamos a expressão de João sobre as cores estampando os cavalos, que foi especialmente esse detalhe o que lhe despertou atenção, e para estas particularmente devemos nos ater.
Se a cor branca do primeiro cavalo representava a qualidade pura do Evangelho pregado durante a primeira fase da igreja, é seguro afirmar, pelo vermelho caracterizando o segundo, que no período seguinte as coisas já não seriam assim.
Este representa a fase de Esmirna 100-313 a.d, e lembramos que para esta já havia uma censura da parte de Jesus alertando encontrarem-se em seu meio alguns "Que se diziam judeus o não o eram" (Ap.2:9)
O "mistério da iniquidade" já existia nos dias de Paulo (2Tess.2:7)
Quando começou o período abrangido pelo segundo selo, a igreja já havia se transformado de tal maneira que requeria a mudança notada pela descrição do símbolo lhe representando.
Começavam a surgir erros e despontava a afeição pelas coisas do mundo.
Já se cogitavam intenções de poderes eclesiásticos unidos a disposições seculares.
Houve uma mudança administrativa em decorrência da morte do último apóstolo, mudança inclusive até mesmo partindo do aspecto da mentalidade.
Pode-se dizer que devido essa transição de lideranças, passou ela de igreja apostólica primitiva para greco-romana; das etapas de criação para á obra de conservadorismo; do manancial da revelação divina para a corrente do desenvolvimento humano; da inspiração dos apóstolos para produções de mestres não tanto empenhados pela verdade de Deus.
Nesse período da historia passou figurar nela diversos autores de peças literárias ainda usadas como referencial até aos dias de hoje.
Pessoas ditas com nova visão de mundo, levado em consideração a singeleza doutrinária do evangelho estabelecido por Jesus.
A mão de Deus havia traçado um nítido contorno demarcatorio entre o século dos milagres e os vindo após, para demonstrar, mediante contraste, a diferença que há entre a obra de Deus e a obra dos homens.
Exatamente nesta fase da igreja, anterior ao concílio de Niceia, se encontra a raiz comum da qual brotaram duas influências decisivas: catolicismo primeiro, e protestantismo mais tarde.
É o meio, o divisor, na transição da era apostólica para a era de Niceia.
Podemos encontrar nessa fase as formas elementares do credo católico; a organização e o culto da igreja católica, e também os germes de quase todas as corrupções do cristianismo grego e romano que haveriam de contaminar a prática cristã até o fim dos tempos.
O espírito dessa fase talvez tenha alcançado o seu apogeu á partir de Constantino, cuja conversão ao cristianismo, em 323, produziu uma transigência entre a igreja e o império romano.
O Edito de Milão, em 313, concedia tolerância aos cristãos e permitia que as pessoas se convertessem ao evangelismo.
Muitas das ações de homens á frente da igreja durante o período de Esmirna, ou do segundo selo, como queiram, foram determinantes para a abertura do caminho pelo qual igreja e estado avançaram para a cooperação e fusão.
O Cristianismo, em sua condição natural de pureza, desenvolveu naquela época uma instituição que era absolutamente rival ao estado romano, politicamente pagão; porque abria os olhos das massas -fonte de onde emana o poder de quem as controla- para uma nova realidade.
Simplificando: A religião pagã romana, instrumento usado pela elite governamental no controle do povo, pelo Evangelho era desmascarada e consequentemente abandonada.
Desta forma o evangelho se constituía em ameaça para o governo.
Criava dentro do império uma sociedade que, acreditavam, ameaçava a própria existência dele.
Quando Constantino fez as pazes com a fé, este conflito, através do controle da igreja pelo estado, parecia estar resolvido.
Tal situação responde fielmente á declaração da profecia onde declara ser dado ao cavaleiro poder de "tirar a paz da terra" de modo que os homens se matassem uns aos outros, e foi-lhe dada uma grande espada.
Os politizados sacerdotes judeus cultivavam um aterrorizante receio em relação á obra de Jesus e Sua doutrina: "que viessem os romanos e tomassem deles o poder" de autoridades constituídas.
O romanismo, relativamente á Bíblia em sua capacidade de despertar consciências, nutria idêntica apreensão.
Imediatamente após a instituição do papado sua primeira operação foi separar na humanidade o contato com este livro, verdadeiramente revolucionário.
Nos últimos tempos sua situação presente é preanunciada pela última carta, aquela sob o título Laodicéia.
Seu característico inerente é a mornidão.
No decorrer dos acontecimentos dos últimos dois mil anos o conhecimento de Deus passou por dois estágios explicitados sob os designativos "frio e quente".
Houve tempos em que a fé era pura e outros onde prevalecia a ignorância.
Mas agora, no final dos tempos, endereço da carta para Laodicéia, o que ocorre tem outro teor: aquilo afirmado como liberdade para com a verdade sem no entanto presente um real compromisso com ela. Compromisso nos reais requisitos por ela peticionados.
Tal filosofia, nessa derradeira fase, tem seu dna daquilo instilado logo naquela segunda, abrangida pelo cavalo vermelho; partindo dali, degrau por degrau, até se encorpar integralmente.
A mudança nas cores dos cavalos simboliza que, partindo de um princípio fundamental, toda alteração acontecendo produz resultados não equivalentes.
A primeira igreja tinha sua base no evangelho da vida eterna, instituído por Jesus e salvaguardado pela obra dos Seus discípulos.
Quando faltaram estes aquela construção passou sofrer mudanças, transformações á conta gotas, até ruir por completo.
É o que veremos na abertura dos selos subsequentes.

Comentários
Postar um comentário