SEGUNDA CARTA: ESMIRNA
Esmirna = Perfume ou cheiro suave (100 a 323 d.C.)
Enquanto os apóstolos ainda estavam presentes na igreja, eles promoviam e sustentavam a pureza da fé entre os membros. Porém, com a morte do último deles, a situação passou por drásticas transformações. Na verdade, certos fatos que se sucederam nesse período não passaram de um engendramento demoníaco preparando o terreno para episódios de extorsão que ocorreriam em breve, assombrando a humanidade pela magnitude do seu alcance devastador.
Apocalipse 2:8-9: "Ao anjo da igreja em Esmirna escreve: Estas coisas diz o primeiro e o último, que esteve morto e tornou a viver: Conheço a tua tribulação, a tua pobreza, mas tu és rico, e a blasfêmia dos que a si mesmos se declaram judeus e não são, sendo antes sinagoga de Satanás."
O Senhor Jesus se apresenta a cada uma das sete igrejas destacando características que Lhe atribuem particular autoridade ao proferir Seu testemunho. Para a igreja de Esmirna — um período de ardente provação diante de terríveis perseguições —, Ele Se revela como Aquele que "esteve morto e tornou a viver".
Se fossem chamados a selar sua fé com o próprio sangue, aqueles cristãos deveriam se lembrar de que sobre eles repousavam os olhos Daquele que partilhou da mesma sorte, mas que triunfou sobre a morte e podia fazê-los ressurgir de suas sepulturas de mártires.
"Conheço a tua pobreza, mas tu és rico." Essa afirmação foi feita pelo Soberano do universo. Afinal, os verdadeiros ricos aos olhos divinos são os ricos na fé, herdeiros do patrimônio celestial. As riquezas deste mundo, pelas quais os homens se traem e se devoram, não têm valor como moeda corrente no Céu.
"Dizem-se judeus e não são." É evidente que o termo judeu aqui empregado não é literal. Façamos uso da luz do Evangelho para nos guiar pela compreensão dessa importante doutrina bíblica, frequentemente mal interpretada.
O apóstolo Paulo esclarece:
"Porque não é judeu o que o é exteriormente, nem é circuncisão a que o é exteriormente na carne; mas é judeu o que o é no interior, e circuncisão a que é do coração, no espírito, não na letra; cujo louvor não provém dos homens, mas de Deus." (Romanos 2:28-29)
Corroborando essa afirmação, o mesmo apóstolo declara:
"Não que a palavra de Deus haja falhado, porque nem todos os que são de Israel são israelitas; nem por serem descendência de Abraão são todos filhos..." (Romanos 9:6-7)
"E, se sois de Cristo, então sois descendência de Abraão, e herdeiros segundo a promessa." (Gálatas 3:29)
Afirmar, portanto, que o termo judeu jamais foi ou poderia ser aplicado aos cristãos é contradizer as Escrituras Sagradas, tanto nas declarações inspiradas de Paulo quanto no testemunho de Jesus à igreja de Esmirna.
Alguns hipocritamente pretendiam ser judeus nesse sentido espiritual e cristão, embora nada possuíssem desse caráter. Esses constituíam a "sinagoga de Satanás" e foram parte da engrenagem no estabelecimento daquela futura desolação.
Portanto, nesse ciclo temporal — também representado pela cor vermelha do cavalo no segundo selo —, transformações sutis passaram a ser perpetradas contra o Evangelho, que começava a ser desfigurado em seu sagrado objetivo. Sobrevindo uma interferência maligna na esfera do pensamento cristão, a igreja passou de uma firmeza de propósito inabalável para uma índole vulnerável à corrupção. A instrução deixou de vir da inspiração dos apóstolos e profetas para dar lugar a mestres que relativizavam condutas impróprias.
O entendimento do Evangelho foi pervertido: do caminho de renúncia, passou-se à vaidade do mérito; de bálsamo para a consciência aflita, converteu-se em instrumento de chantagem contra o pecador. Os valores se inverteram. O Evangelho já não era o cinzel que lapidava os fiéis, mas estes passaram a adaptá-lo às suas próprias imperfeições, explorando-o como ferramenta de controle de massas, autopromoção e obtenção de vantagens pessoais.
Apocalipse 2:10: "Não temas as coisas que tens de sofrer. Eis que o diabo está para lançar em prisão alguns dentre vós, para serdes postos à prova, e tereis tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida."
A história registra diversas campanhas militares romanas promovidas contra o cristianismo:
- Nero (64–68 d.C.)
- Domiciano (94–96 d.C.)
- Trajano (97–116 d.C.)
- Adriano (118–129 d.C.)
- Marco Aurélio (161–178 d.C.)
- Sétimo Severo (200–211 d.C.)
- Maximiano (235–237 d.C.)
- Décio (249–251 d.C.)
- Valeriano (257–259 d.C.)
Nenhuma delas, contudo, igualou-se em violência e número de mortos à perseguição movida por Diocleciano durante dez anos (303–313 d.C.), retratada na profecia como a "tribulação de dez dias". Deve-se lembrar que, na linguagem profética, um dia equivale a um ano literal (Números 14:34; Ezequiel 4:6).
Por que a profecia destaca especificamente essa perseguição, se a igreja foi assolada violentamente em tantas outras ocasiões?
Lembra-se das menções anteriores sobre um evento marcante na história mundial que afetaria a verdadeira fé? Pois bem: esse marco foi definitivamente estabelecido a partir desse período, apontando para os escritos dirigidos à próxima igreja, tema do nosso próximo estudo da série Apocalipse Passo a Passo.
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