Os Capítulos Oito e Nono do Livro de Apocalipse
O capítulo seis encerra-se narrando acontecimentos sob o sexto selo, enquanto o oitavo capítulo inicia-se com a abertura do sétimo selo. O capítulo sete — que expõe a solene obra de "selar" ou "assinalar" os servos de Deus — surge como um parêntese entre o sexto e o sétimo selos, demonstrando inquestionavelmente que essa obra de selamento pertence ao período abrangido pelo sexto selo.
“Quando o Cordeiro abriu o sétimo selo, houve silêncio no céu cerca de meia hora.” (Ap 8:1)
O sexto selo não descreve o advento do Senhor Jesus propriamente dito, embora se refira a acontecimentos diretamente associados a Ele. Ele apresenta as terríveis comoções da natureza decorrentes da visão dos céus enrolando-se como um pergaminho, bem como o impacto provocado na sociedade humana — extraindo dela a angustiada confissão de que é chegado o dia da ira divina e a terrível expectativa de ver o Rei surgir em insuportável glória. Contudo, o sexto selo termina imediatamente antes desse grandioso evento.
A aparição pessoal do Senhor Jesus deve, portanto, ser atribuída ao selo seguinte. Esse encadeamento foi determinado por Deus para atrair a atenção do estudante das Escrituras. O cumprimento do capítulo sete ocorre sob circunstâncias nas quais a fé, o amor ao Salvador e a irrestrita obediência à Sua Palavra encontram forte oposição no mundo. Profecias paralelas à obra de selamento demonstram que esta enfrenta feroz resistência por parte da besta, que tenta impor o seu sinal oposto. Essa oposição define a condição espiritual de incredulidade daqueles para quem o surgimento do Senhor trará surpresa e terror.
Concluímos, com base nesse princípio ordenador estabelecido por Deus na sequência profética, que o capítulo sete do Apocalipse contém ensinamentos fundamentais para a instrução e o crescimento da fé. Abordaremos esse tema sistematicamente em um artigo específico no momento oportuno.
É extraordinária a precisão com que toda a Bíblia se harmoniza. Comparemos a expressão “Houve silêncio no céu...” com as palavras de Jesus: “Quando o Filho do Homem vier na sua majestade, e TODOS os santos anjos com ele...” (Mt 25:31). Quando todos os serafins e adoradores celestes deixarem as cortes do Céu acompanhando seu divino Senhor, vindo resgatar os remidos deste planeta, não seria natural que o Céu ficasse em silêncio?
“...por cerca de meia hora.”
Para muitos intérpretes proféticos — especialmente aqueles que não recorrem à própria Bíblia para decifrar seus símbolos emblemáticos —, a única alternativa é aplicar suposições baseadas em pontos de vista pessoais, formulando hipóteses e conjecturas. Nesse caso, a menção ao prazo desse silêncio no céu perde o sentido para eles e, seguindo essa linha de raciocínio, ignoram-se detalhes de suma importância.
É evidente que João não cronometrou a duração exata do evento; contudo, se o registro foi feito dessa forma pela vontade Aquele que inspirou as visões do livro, certamente há nele um ensino relevante. Aplicando-se a regra profética que converte um dia simbólico em um ano literal (Nm 14:34; Ez 4:6), trinta minutos equivalem a aproximadamente sete dias inteiros. Isso nos leva a compreender que, entre a saída da comitiva real da Jerusalém Celestial e a sua reentrada, o tempo total desse traslado corresponde a sete dias, conforme a contagem terrestre.
Com base nisso, surge a questão: por qual razão o Senhor Jesus despenderia esse espaço de tempo? Afirmar qualquer conclusão definitiva nesse sentido não passaria de especulação. Contudo, é possível que exista alguma relação com os ensinamentos apresentados no selamento do capítulo sete.
As sete trombetas representam eventos paralelos aos sete selos e às sete cartas dirigidas às igrejas:
“Então vi os sete anjos que se acham em pé diante de Deus, e lhes foram dadas sete trombetas... E os sete anjos, que tinham as sete trombetas, prepararam-se para tocá-las.” (Ap 8:2, 6)
Estes versículos dão início a uma nova e distinta série de acontecimentos. Enquanto os selos apresentam aspectos político-religiosos ligados à Igreja durante a dispensação cristã, as sete trombetas destacam acontecimentos políticos e militares ocorridos no mesmo período, os quais interferiram diretamente na trajetória da verdadeira fé.
O soar das trombetas atua como um complemento às profecias dos capítulos 2 e 7 de Daniel, começando com o esfacelamento do Império Romano em suas dez divisões — processo descrito no alcance das quatro primeiras trombetas.
Para que este artigo não se estenda demasiadamente, apresentaremos a conclusão desta análise no próximo texto da série.
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