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A ORIGEM DO MAL.

            

A Origem do Mal e a Justiça de Deus

​Olá, amigos.

​Quem é que nunca se confrontou com indagações sobre a origem do mal? Como e por que ele surgiu? Por que Deus não o eliminou logo no início? Por que continua a assolar a humanidade? Bons questionamentos, não?

​É interessante observar que, embutida nessas perguntas, quase sempre parece haver uma insinuação de arbitrariedade por parte de Deus, como se Ele transigisse com a existência do mal. Contudo, a bem da verdade, poucos conhecem profundamente as razões pelas quais o Onipotente Senhor do Universo não tomou providências imediatas para extingui-lo — não apenas hoje, mas lá no princípio, quando tudo começou.

​A resposta para essa questão é simples, embora profunda: Ele não o podia fazer!

"Como assim?", contradiriam alguns. "Acaso existe algo impossível ao Deus Todo-Poderoso?"

​Afirmamos que, dada a engrenagem arquitetada por Satanás ao deflagrar a rebelião, geraram-se circunstâncias que tornaram impossível ao Senhor agir de forma impulsiva, garantindo que a legitimidade e a transparência de Sua ação fossem plenamente compreendidas por todo o universo.

​Complexo, não é mesmo? Mas é a realidade. Pretendemos, neste texto, esclarecer esse "mistério" à luz das Escrituras.

​O Precursor do Mal

​Iniciemos a explanação conhecendo o precursor do mal: Lúcifer.

​Sobre ele, surge naturalmente outra indagação: Deus o teria criado propenso ao mal? Absolutamente não. Ele foi criado perfeito:

​“Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou iniquidade em ti.” (Ez 28:15)


​A forma como ele praticou o mal após instaurá-lo em seu coração pode ser explicada; contudo, a maneira como ele cedeu ao mal em um ambiente de absoluta perfeição permanece um mistério que somente a eternidade poderá revelar.

O mal já existia antes da criação de Lúcifer? Pode-se dizer que sim no sentido abstrato, pois o mal é a retração ou ausência do bem. Lúcifer foi o primeiro ser a incorrer nessa condição, e por isso é chamado por Jesus de o “pai da mentira” (Jo 8:44).

​O desvio de conduta de Lúcifer, contrário aos seus princípios originais, deu-se pelo orgulho nutrido em razão dos atributos com os quais fora concebido: inteligência (Ez 28:3), beleza (Ez 28:17) e posição de destaque (Ez 28:14). Tais dádivas deslumbraram seus olhos, levando-o a almejar prerrogativas que não lhe pertenciam (Ez 28:6; Is 14:13-14). Para alcançar esse objetivo, mediante enganos, ele arregimentou para a sua rebelião outros anjos que o admiravam (Ap 12:4; Jd 6; 2Pe 2:4).

​A Peleja Celestial

​De que forma se constituiu essa rebelião? A Bíblia não se detém em minúcias, mas deixa claros indícios do ocorrido:

​“Houve peleja no céu: Miguel e os Seus anjos pelejaram contra o dragão. Também pelejaram o dragão e os seus anjos...” (Ap 12:7)


​Quem combateu o inimigo nos céus foi o próprio Cristo (Jd 9; Dn 12:1). Contudo, não devemos pressupor que essa peleja tenha ocorrido com armas físicas, como espadas ou lanças. Satanás e suas hordas jamais seriam páreo para o poder e a majestade divinas em um confronto de força bruta.

​Aquele combate consistiu em um debate jurídico-moral, no qual ambas as partes pleiteavam a razão e a verdade. As evidências do texto confirmam que a revolta no Céu foi uma conspiração arquitetada às ocultas, na qual o diabo distorceu o caráter de Deus na mente dos anjos — método que repetiria na Terra com Adão e Eva.

​Observe a linguagem do apóstolo Paulo ao definir o alcance do sacrifício de Cristo:

​“Porque aprouve a Deus que Nele [Jesus] residisse toda a plenitude, e que, havendo feito a paz pelo sangue da Sua cruz, por meio Dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus.” (Cl 1:19-20)


​O texto declara que o alcance do Calvário não se restringe à Terra, mas se estende ao Céu. Isso porque as artimanhas usadas por Satanás lá foram as mesmas empregadas aqui: ele incutiu dúvidas com respeito às Leis de Deus e à constituição do Seu governo, levando as criaturas a suspeitarem de Sua justiça.

​Segundo a propaganda satânica, Deus não deveria ser amado por Sua bondade, mas temido como um ser arbitrário, que promulga leis rígidas apenas para ser servido, punindo impiedosamente qualquer falha. Esse pensamento distorcido foi enxertado na mente da terça partes dos seres angelicais.

​Se o Todo-Poderoso tivesse aplicado imediata sanção de morte sobre o seu arquirrival naquele momento, as mentiras do acusador teriam sido confirmadas na mente das criaturas como verdades. Deus seria visto como um tirano que destrói quem discorda Dele.

​O Dilema no Éden e a Solução do Calvário

​Esse mesmo dilema reincidiu no Jardim do Éden. O ser humano pecou ao transgredir a Lei de Deus (Gn 3:6; Os 6:6-7; Rm 5:12-14). Esse ato afetava diretamente a ordem do Universo e colocava o Governo Divino diante de dois caminhos delicados:

  1. Se Deus aplicasse imediatamente a pena de morte: As alegações de Satanás pareceriam confirmadas. A imagem de Deus seria distorcida perante as criaturas inteligentes, passando a ideia de que Ele domina pela força e pelo medo.
  2. Se Deus desconsiderasse a transgressão: A Lei divina seria tida como falha, sem autoridade e passível de ser violada por qualquer um, a qualquer momento, destruindo a ordem moral do Universo.

​Para qualquer lado que se olhasse, havia uma armadilha cuidadosamente planejada pelo adversário. Foi sob tais circunstâncias que se desenvolveu o Plano da Salvação.

​Quando o diabo foi expulso do Céu, ele já sabia que dispunha de um tempo limitado determinado por Deus (Ap 12:12). E quando Jesus expirou na cruz, o Universo contemplou o desfecho desse grande dilema:

  • ​Ali se evidenciou quem realmente tinha razão.
  • ​Ali as mentiras do sedutor caíram por terra.
  • ​Ali Satanás foi desmascarado em suas reais intenções.
  • ​Ali ficou estampado qual seria o resultado caso o rebelde tivesse alcançado o trono supremo.

​As guerras, a violência, as enfermidades que acometem jovens e idosos, a fome, a desigualdade e as catástrofes naturais são frutos do mal semeado por Satanás. Embora a permanência desses males pareça, à primeira vista, uma complacência de Deus, no tempo devido eles serão extirpados para sempre da vida daqueles que, com paciência e fé, souberam perseverar.

​Deus, por amor a cada um de Seus filhos e a toda a criação, limitou o tempo de atuação do Seu inimigo — tempo este que está no fim. O mais confortante é saber que, durante todo esse período de conflito, o sofrimento de Suas criaturas jamais Lhe passou despercebido. Nosso Salvador, além da agonia da cruz, sente e carrega conosco cada uma de nossas feridas.

​Pensemos nisso.









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