Pular para o conteúdo principal

O QUARTO SELO

     

​OS SETE SELOS

​Estudo do Quarto Selo: O Cavalo Amarelo, a Escuridão da Idade Média e a Abreviação dos Dias

​1. O Quarto Selo: O Cavalo Pálido e a Sombra da Morte

​"Quando o Cordeiro abriu o quarto selo... olhei, e eis um cavalo amarelo e o seu cavaleiro, sendo este chamado Morte; e o inferno o estava seguindo, e foi-lhe dada autoridade sobre a quarta parte da terra para matar à espada, pela fome, com mortandade e por meio das feras da terra." (Apocalipse 6:7-8)


​O aspecto histórico deste selo corresponde paralelamente à era da igreja de Tiatira, diferindo apenas em uma pequena parcela da extensão temporal abrangida por ambos:

  • ​Igreja de Tiatira: Estende-se de 538 a 1798 d.C. (período completo de supremacia do papado medieval).
  • ​O Quarto Selo: Inicia-se na mesma data (538 d.C.), mas tem a sua longevidade encurtada, culminando com o irromper da Reforma Protestante em 1517 d.C.

​É notável a cor atribuída a este cavalo. Os três primeiros — branco, vermelho e preto — exibem pelagens naturais. O termo original traduzido como "amarelo" (chloros), contudo, não se refere ao amarelo comum, mas a uma cor pálida, doentia ou esverdeada, semelhante à de plantas crestadas ou de um corpo em decomposição. Esse tom retrata um estado medonho e doentio na história do cristianismo.

​A profecia declara: "O que está assentado sobre ele tem por nome Morte; e o inferno [Hades, a sepultura] o segue." A morte, caracterizada por essa palidez mortal, estendeu sua mortalha sobre o território dominado pelo sistema político-religioso de Roma, tanto no sentido literal quanto no espiritual.

​2. A Perseguição Histórica e as Barbáries Medievais

​Sobre os terrores impostos durante essa pálida dispensação da história humana — comumente conhecida como Idade Média —, o erudito Grattan Guinness registrou:

​"Os perseguidores da Roma papal inventaram toda sorte de tormentos, de maneira que seria difícil descobrir novas espécies dos mesmos que não tenham sido postas em prática contra os que eram tachados de 'hereges'.

​Foram eles flechados, espetados, apedrejados, afogados, decapitados, enforcados, dilacerados, esquartejados, empalados, queimados ou enterrados vivos, assados no espeto ou no forno, lançados nas bocas de fogo, atirados de precipícios... feitos explodir com pólvora; amarrados às caudas dos cavalos e arrastados por ruas de cascalhos pontiagudos; quebrados sobre a roda... e rasgados em pedaços com tenazes em brasa.

​Nada há na história que a isso se equipare, pois as perseguições pagãs eram brandas se comparadas às papais."


​É doloroso admitir que tamanhas barbáries tenham sido cometidas sob o pretexto de defender a fé. Homens cegados pelo orgulho, pela ignorância e pela ânsia de domínio colocaram-se à disposição do inimigo como instrumentos contra a Palavra de Deus e Seus praticantes. Quando o homem permite, o engano se estabelece de tal forma em sua mente que a violência passa a ter aparência de virtude.

​3. A Abreviação dos Dias e a Restauração da Verdade

​Em Seu sermão profético, o Senhor Jesus alertou Seus discípulos sobre esse tempo de angústia sem precedentes:

​"Quando, pois, virdes o abominável da desolação de que falou o profeta Daniel no lugar santo... haverá grande tribulação, como desde o princípio do mundo até agora não tem havido, nem haverá jamais. E, se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria; mas, por causa dos escolhidos, serão abreviados aqueles dias." (Mateus 24:15-22)


​Deus, em Sua omnisciência, determinou um limite para a opressão espiritual. Mesmo antes da queda formal do poder papal em 1798, o Senhor suscitou homens de fé e coragem para acender a luz da verdade.

​Em 31 de outubro de 1517, ao afixar suas 95 Teses na porta da Igreja do Castelo em Wittenberg, na Alemanha, Martinho Lutero combateu a venda de indulgências, a autoridade papal desmedida e a falsa doutrina da penitência.

​Esse ato desencadeou a Reforma Protestante, um movimento global que dissipou as densas nuvens da ignorância e devolveu a Bíblia ao acesso do povo.

​4. Resumo Comparativo: O Selo e a Igreja

O QUARTO SELO
538 - 1517 d.C. Termina com o início da Reforma Protestante.                                                                Cavalo pálido: (Morte e Sepultura) Mortandade espiritual e física. Perseguições extremas.

TIATIRA 538-1798 d.C. Cobre todo o período dos 1260 anos.                                          Jezabel/Corrupção: Infiltração da idolatria é falsos ensinos no seio da igreja.

Se a escuridão do quarto selo tivesse se prolongado sem interrupção até 1798, a fé genuína e a própria Palavra de Deus teriam sido virtualmente suprimidas. Por essa razão, a providência divina abreviou o alcance do cavalo pálido mediante o despertamento da Reforma, garantindo a preservação dos Seus escolhidos e o triunfo final da verdade.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

EXTREMA DIREITA E A BÍBLIA

​A Engenharia do Engano: A Ascensão da Extrema Direita, o Fascismo e o Alerta do Apocalipse ​A fulminante expansão da extrema direita no mundo contemporâneo é mera coincidência histórica ou este cenário  — irrefutavelmente comprovado —  fundamenta-se em mecanismos do passado que retornaram para turbinar essa corrente ideológica? ​Para responder a isso, é preciso primeiro compreender as bases estruturais do fascismo , sistema político autocrático surgido na Itália em 1919 sob o comando de Benito Mussolini. Ancorado em pilares ultranacionalistas, antiliberais e antissocialistas, o fascismo buscou a edificação de um Estado totalitário pautado pelas seguintes características: ​ Totalitarismo e Estatolatria: O Estado é absoluto. Como sintetizou Mussolini: “Tudo no Estado, nada contra o Estado, e nada fora do Estado” . ​ Ultranacionalismo e Militarismo: Exaltação ufanista da nação e legitimação da violência política e bélica contra opositores. ​ Líder Carismático: Concentra...

O SANTUÁRIO CELESTIAL (PARTE 4)

    AS DUAS ALIANÇAS   — Parte 4:                             A TIPOLOGIA DO SANTUÁRIO CELESTIAL NA EPÍSTOLA AOS HEBREUS  ​Olá, amigos! ​No capítulo anterior, estudamos os rituais praticados no santuário terrestre — uma estrutura emblemática, fruto da sabedoria do Deus Altíssimo, cujas cerimônias oferecem um verdadeiro vislumbre da redenção operada por Jesus no santuário celestial. Embora a Bíblia nem sempre utilize uma linguagem literal e direta sobre o tema, as alegorias e os rituais do tabernáculo revelam com clareza o desenvolvimento do plano da salvação. ​Neste quarto artigo da série, analisaremos os textos sagrados referentes às ordenanças dadas a Israel que prefiguravam o ministério de Jesus no céu. ​Como vimos ( ver capítulo 3 ), o tabernáculo terrestre era purificado uma vez ao ano sob a ministração do sumo sacerdote. O apóstolo Paulo confirma que a figura desse sumo sacerd...

O SANTUÁRIO CELESTIAL.(Apresentação)

A TIPOLOGIA DO SANTUÁRIO CELESTIAL NA TEOLOGIA BÍBLICA ​ Apresentação da Série ​Saudações a todos. ​Se houvesse uma única chave hermenêutica em todas as Escrituras capaz de sintetizar a totalidade do plano de redenção     — desde a eclosão da crise do pecado até a restauração final do cosmos —, essa chave seria a doutrina do Santuário . ​Apesar de constituir um dos eixos centrais e unificadores do pensamento bíblico, o tema do Santuário Celestial figura frequentemente negligenciado ou reduzido a meras particularidades ritualísticas por expressiva parcela da teologia contemporânea. Contudo, longe de se limitar a um arcabouço ritual obsoleto, a estrutura do Santuário sobressai-se como a revelação suprema do governo moral divino. Como bem sintetiza a reflexão teológica: "O Santuário não é uma mera representação do Céu, mas a revelação do modo como o Santo Deus resolve o problema do pecado na Terra." É nele que convergem e se cumprem os decretos eternos da salvação. ​Visto...