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O SANTUÁRIO CELESTIAL (PARTE 6)


AS DUAS ALIANÇAS    — Parte 6:                            A PROFECIA DOS 2.300 DIAS E O INÍCIO DO JUÍZO CELESTIAL 

​Olá, amigos!

​Entendemos no capítulo anterior que o julgamento efetuado no santuário celestial precede o segundo advento de Cristo — ou seja, acontece antes do Seu retorno à terra —, e que essa obra de juízo era prefigurada pelos rituais de purificação do antigo santuário hebreu.

​No modelo terrestre, havia um dia rigidamente fixado para esse evento: o décimo dia do sétimo mês do calendário judaico (o Yom Kippur), que, em equivalência ao calendário ocidental, correspondeu a 22 de outubro no ano de cumprimento profético.

​Isso nos leva a questionar: Existiria também para a purificação do santuário celeste um momento previamente fixado? O apóstolo Paulo afirma que Deus "estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça" (At 17:31).

​Seria possível encontrar nas Escrituras maiores esclarecimentos sobre essa data? A resposta é sim! Deus, em Sua infinita misericórdia e sabedoria, jamais deixaria os Seus filhos na obscuridade quanto a uma etapa tão vital do plano da salvação.

​A Profecia Balizadora

​Analisemos uma das profecias mais abrangentes da Bíblia:

​"Ele me disse: Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado." (Dn 8:14)

​Isoladamente, o texto pode parecer simples. Contudo, quando submetido às regras da hermenêutica bíblica e analisado em seu contexto histórico e profético, seu significado expande-se a horizontes extraordinários.

​Nos dias de Daniel, o povo judeu encontrava-se exilado na Babilônia após a destruição de Jerusalém promovida por Nabucodonosor por volta de 607 a.C. O rei babilônio teve o sonho de uma grande estátua (Dn 2), interpretado por Daniel como a sucessão de quatro grandes impérios mundiais: Babilônia, Medo-Pérsia, Grécia e Roma.

​Mais tarde, o próprio Daniel recebeu uma visão paralela (Dn 7), representada não por metais valiosos, mas por quatro animais ferozes. Sob a ótica humana, os impérios aparentam luxo e grandeza (metais); sob a ótica celestial, revelam-se como poderes agressivos e dominadores (feras).

​O Quarto Animal e o "Chifre Pequeno"

​Nessa sequência imperial, o quarto reino — Roma — recebe destaque especial por sua força avassaladora e por possuir dez chifres (Dn 7:7). Na linguagem profética, "chifre" simboliza reis ou reinos com autoridade de governo (Dn 7:24).

​Entre esses dez chifres, surge outro, pequeno e insolente, que abate três dos primeiros e passa a perseguir os santos de Deus (Dn 7:8, 19-25). O anjo explica a Daniel que esse poder seria diferente dos anteriores: além do domínio político e bélico, ele exerceria uma pretensão de caráter religioso, cuidando em "mudar os tempos e a lei" (Dn 7:25).

​Contudo, o texto destaca que a intervenção do Ancião de Dias ocorre justamente para fazer justiça aos santos e estipular o limite desse poder perseguidor (Dn 7:21-22).

​A Chave Hermenêutica: As 70 Semanas e os 2.300 Anos

​Daniel ficou profundamente angustiado tentando compreender o tempo dessa visão (Dn 8:27). Ele entendia a profecia dos 70 anos de cativeiro físico descrita por Jeremias (Jr 25:11-12; Dn 9:2), mas não conseguia decifrar os 2.300 dias.

​Em resposta às suas orações fervorosas, o anjo Gabriel veio em seu auxílio:

​"Setenta semanas estão determinadas [separadas] sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade... Sabe, e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até o Ungido, ao Príncipe, haverá sete semanas e sessenta e duas semanas..." (Dn 9:24-25)


​No princípio de interpretação profética, um dia equivale a um ano (Ez 4:6; Nm 14:34). Portanto:

  • ​70 semanas proféticas = 490 dias proféticos = 490 anos literais.
  • ​2.300 tardes e manhãs = 2.300 anos literais.

​Os 490 anos foram "cortados" ou "separados" para o povo judeu do montante maior dos 2.300 anos. O anjo forneceu a Daniel o ponto de partida cronológico exato para ambos os períodos: a saída do decreto para edificar e restaurar Jerusalém.

​O Marco Histórico e o Ano de 1844

​Embora tenha havido decretos anteriores de Ciro e Dario, o decreto definitivo que concedeu plena autonomia civil e religiosa para a reconstrução de Jerusalém foi promulgado pelo rei persa Artaxerxes I, no outono do ano 457 a.C. (Esdras 7:11-26; Ne 2:7-9).

​Fazendo a soma cronológica:                                 457 a.C. + 2.300 anos =1844 d.C.

Lembrando que não existe o "ano zero" na transição da era a.C. para d.C.)

​Em 22 de outubro de 1844, teve início no céu a fase final do plano da salvação: a obra do Juízo Investigativo e a consequente purificação do santuário celestial.

​A Estrutura do Tribunal Celestial

​Esse julgamento celestial possui todos os elementos de um tribunal plenamente organizado:                     



Juiz: Deus Pai (2Tm 4:8)


 

Advogado de Defesa: Jesus  (1Jo 2:1)             



Registros do Processo: Os Livros Celestiais          (Ap 20:12)



Testemunhas: Os anjos (MT 18:10)



Lei/Padrão  de Justiça: A Lei de Deus 

(Tg 2:10-12; MT 5:37-28)

Não nos é possível precisar em que estágio exato se encontra a análise dos casos no tribunal celeste. No entanto, ao comparar a condição moral da sociedade com as predições bíblicas, percebemos que a conclusão dessa obra está muito próxima. Finalizado o julgamento, resta ao Filho do Homem receber o Reino e regressar a esta terra para resgatar os Seus fiéis.

​No próximo capítulo, analisaremos a participação direta das 70 semanas (os 490 anos de graça estendidos ao povo judeu) na cronologia profética e no surgimento do Messias.

​Até breve!

 




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