A Misericórdia do Remanescente Capítulo I: O Sangue do Tempo e a Semente que Não se Rende Falar sobre o "remanescente" nos dias de hoje exige, antes de qualquer concessão, a coragem de olhar para a ferida aberta da nossa realidade sem vendas nos olhos. Seria cômodo — e próprio de um discurso tradicional inofensivo e romantizado — tratar as agruras do nosso tempo como meras intempéries passageiras ou dissabores de época. Não são. Vivemos em um ecossistema existencial marcado por tempos de perversidade anímica e intelectual, onde a insensibilidade se institucionalizou e a inversão brutal de valores deixou de ser exceção para se tornar a linguagem padrão do cotidiano. Estamos enredados em uma engrenagem social estruturada sobre a ilusão e costurada a fios de mentiras cotidianas, nas quais a verdade foi despojada de seu peso e substituída pelo utilitarismo da conveniência. Nossas interrelações tornaram-se frívolas, rasas e gélidas. Nelas, a pessoa humana — antes...
A LUZ QUE ILUMINA O SABER