O macabro animal antedito no livro de Daniel, (Dn.7:7) inequivocamente condizendo ao Império Romano, é também mencionado na peça literária de João, apóstolo e co-fundador da igreja cristã.
Seus capítulos 12 e 13 situam duas bestas, desassemelhando-se no aspecto da cor mas formando um mesmo ideário. Um mesmo projeto de poder. Qual a razão nesta diferenciação?
Ambas, uma avistada sob um sinal no céu e outra emergindo do mar, possuíam sete cabeças, dez chifres e diademas sobre estes. (Ap.12:3 13:1)
O tom escarlate aplicado por referencial distinguindo a primeira, não é por acaso. No prosseguimento da narração salientando ocorrências subsequentes, a matiz tem o mesmo sentido conotativo para indicar o cunho nas ações sendo desencolvidadas. Portanto, mais que ilustrar o espectro sanguinolento, o símbolo pretende evidenciar um fraudulento sistema religioso sendo estrategicamente operado para publicizar corporativismos espúrios.
Religião transformada em ferramenta política é prática comum desde que o mundo é mundo, mas não houve outro que superasse a Roma nesse quesito. Inclusive isso explica o agressivo ódio nutrido contra os cristãos. Tal acontecia em razão do avanço do evangelho contra o paganismo; dissipando suas superstições, derrubando seus ídolos; esvaziando templos. Destruía os motes de astutos homens públicos, usados para conquista e preservação de cargos influentes.
Esta fera encarnada transfere para a segunda seu legado de autoridade. (Ap.13:2) O sistema altera seu modus operandis, mas conserva as rédeas do domínio. Qual a verdadeira resposta para tudo isto? Aqui, neste presente estado de coisas: paixão pelo poder; mas, lá na genesis... onde o projeto foi arquitetado, a finalidade não é outra senão causar separação entre homem e o seu Criador!
Relembremos que estes dez chifres denota movimentos políticos, pois correspondem a fragmentação do império romano ocidental a partir de 476 em face da incursão de tribos bárbaras ao seu território, o que resultou numa Europa dividida em estados autônomos e independentes.
Os dois protagonistas ainda tem em comum outro pormenor: possuem sete cabeças.
O nominativo cabeça figuradamente alude as sete instâncias governamentais pelas quais Roma foi administrada desde a sua fundação. Seguindo o contexto a profecia confirma que "são também sete reis". (Ap.17:9)
Império foi a sexta forma de governança romana.
Destas sete, em contemporaneidade aos dias em que João escreveu o Apocalipse, cinco já haviam caído:
1-Realeza (753 a.C.-510 a.C.)
2-Consulado (510 a.C.-500 a.C.)
3-Ditadura (500 a.C.-493 a.C.)
4-Tribunos (493 a.C.-450 a.C.)
5-Decenvirato (450 a.C.-30 a.D.
Instrui a profecia: "Um existe", referindo-se ao regime vigente enquanto João achava-se exilado na ilha de Patmos, "E outro ainda não é vindo": o papado, estabelecido posteriormente no ano 538, deposto que foi em 1798 pelo exército francês comandado pelo seu general Berthier.
Considerável montante nas Escrituras, especialmente Daniel e Apocalipse, reserva o tema Roma no centro das discussões.
Isso porque no planeta jamais houve qualquer nação disposta a opor-se tão ferrenhamente contra a Verdade de Deus e Seus seguidores quanto ela o fez. Também jamais houve legislativo que operasse com tamanha eficácia e destreza a religiosidade como instrumentação no controle dos povos.
E, talvez, jamais tenha existido poucas sociedades mais ortodoxas e fanáticas para com a sua cultura, para com as suas tradições nacionais, como o foram os correligionários romanos.
Tal conjunto de circunstâncias incitou, pelo decorrer de múltiplos séculos, ódio e ferrenha oposição ás Escrituras Sagradas: Em toda parte e lugar; por tudo, por todos.
Conforme citado em capítulos anteriores era o paganismo religião oficializada pelo estado e conservada sob punhos de ferro.
Perdendo esta seu espaço para o Cristianismo, foram ambas por Constantino ardilosamente mesclados, tornando-se muito identificadas e nascendo agora para o mundo a soberba igreja Romana.
Adentra no cenário profético das visões do apóstolo João outro símbolo inquestionavelmente ligado ao quadro das duas bestas em questão: A figura da impudica meretriz citada no décimo sétimo capítulo dos escritos do profeta.(Ap.17:3)
Algumas particularidades nela e na própria narração do capítulo chamam a atenção, requerendo observações importantes.
As profecias possuem linguagem singular, sendo que 95% do teor na sua escrita não deve ser entendido conforme se lê, ou serem interpretados literalmente.
Algumas conotações apresentadas em determinado versículo e lugar geralmente tem sua conclusiva elucidação embutida em outro, afim de esclarece-lo. Contém um procedimento operacional padrão autoexplicavo.
A figura daquela mulher visualizada por João profeticamente tem o significado de igreja.
Veja-se Ez.16:8,32-34 Os.2:19 Jr.3:14 2Co.11:2
A transcrição de uma mulher pura, como em Ap.12:1, 2 por exemplo, tipifica uma igreja fiel.
Uma mulher impura, como neste caso, representa uma igreja apostatada.
"Assentava-se sobre muitas águas" (Ap.17:1)
Água denota "povos, multidões, nações e línguas" (Ap.17:15) significando ser esta igreja firmada por multidões e estabelecida sobre e entre elas.
"Com quem se prostituíram os reis da terra; e com o vinho de sua devassidão foi que se embebedaram os que habitam na terra " (Ap.17:2)
Pode-se confirmar atualmente estar o eclesiástico romanismo firmemente atrelado á autoridades máximas e governos de povos do mundo inteiro, salvo uns poucos, traficando, "embebedando", junto aqueles sua tendenciosa influência.
"Achava-se a mulher vestida de púrpura e de escarlata, adornada de ouro, de pedras preciosas e de pérolas..." (Ap.17:4 )
A aparência da mulher revela seu método próprio de agir: A sedução. Pomposas celebrações, carregadas de solene ostentação; templos imponentes pela arquitetura e riquezas neles empregados.
"Então vi a mulher embriagada com o sangue dos santos..." (Ap.17:6)
Outra característica daquela igreja: Derramamento de sangue e morte. Estimam alguns historiadores em 50 milhões o número de dissidentes assassinados pela igreja durante o período conhecido como Idade Média, seja em ações pontuais, ou extermínio em massa.
Quem já não ouviu sobre o "Massacre de São Bartolomeu" ou "Noite de São Bartolomeu"
Este sangrento episódio de repressão aos protestantes da França, pelos reis franceses, que eram católicos, entre os dias 23 e 24 de Agosto de 1572, em Paris, ceifou em apenas uma noite a vida de 70.000 inocentes, os huguenotes, cujo crime seria unicamente seguir os ditames de sua própria consciência expressando livremente seu louvor e adoração a Deus conforme a Bíblia Sagrada.
Toda tecnologia da época era empregada para confecção de instrumentos de tortura, prolongando ao máximo, se possível, a agonia e dor das vítimas daquele diabólico regime.
"Na sua fronte achava-se escrito um nome, mistério: BABILÔNIA,A GRANDE, A MÃE DAS MERETRIZES E DAS ABOMINAÇÕES DA TERRA"(Ap.17:5)
Na transição paganismo-cristianismo ocorrida entre os séculos III e IV, determinados ritos e crenças pagãs transformados foram em dogmas e implantados como regras de conduta cristã.
Adoração a Maria e imagens de santos; procissões; rosário. Observância do primeiro dia da semana, o dia do sol.
Imortalidade da alma e por consequência um inferno eterno; justificação pelas obras, etc.
Em 1517, na Alemanha, sob turbulenta opressão dá inicio Lutero a "Reforma Protestante", movimento que rapidamente se espalha por toda Europa.
Sua essência consistia em denunciar a corrupção na fé e aproximar Bíblia e cristãos.
São fundadas em seguida a igreja Luterana e posteriormente várias outras; porém os resquícios doutrinários católicos infiltrados em seu meio jamais foi possível serem extirpados.
A promíscua mulher da profecia, por ela denominada "A mãe das meretrizes" mui adequadamente recebe este rótulo.
Um sem número de igrejas protestantes ganharam identidade e espaço desde então, porém, não obstante a sua negação ao romanismo, alicerces estatutários e doutrinários transmitidos aos seguidores tem, por identidade, base afiliada a ensinos redigidos pelo catolicismo.
A "balbúrdia" estabelecida a partir da extensa proliferação de equivocadas interpretações bíblicas, subentende-se através do título dado pela profecia á mulher: Babilônia; derivativo de Babel, a torre erigida na antiga Mesopotâmia objetivando alcançar-se o céu por caminhos próprios, (Gn.11:1-9) e cujo propósito não alcançou um bom termo dadas à impossibilidade de comunicação entre seus construtores.
A raiz da palavra Hebraica Babel conota confusão, engano.
A cada nova igreja que surge, uma nova doutrina se instaura e cumpre deste modo a profecia, pois cada uma destas simbolicamente significa um tijolo a mais sendo assentado na construção daquele edifício.
Aquela mulher...: Sanguinária; corrupta; corruptora; sedutora; enganadora; inimiga da verdade e da justiça... também mãe, e mãe de filhas idênticas a si, ainda manifestar-se-a em seu verdadeiro caráter, rebelando-se sob apoio e proteção de mais um elemento denunciado nas profecias;
tema a ser abordado em breve.

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