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O QUINTO SELO

                                                 O QUINTO SELO

"Quando ele abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as almas daqueles que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho que sustentavam. Clamaram em grande voz ,dizendo: Até quando, ó Soberano Senhor, santo e verdadeiro, não julgas nem vingas o nosso sangue daqueles que habitam sobre a terra? Então a cada um deles foi dada uma veste branca, e lhes disseram que repousassem ainda por pouco tempo, até que se completassem o número dos seus conservos e irmãos que iam ser mortos como igualmente eles foram" (Ap.6:9-11)

Bom... queridos leitores. Esse texto tem sido pivô para muitíssimas interpretações equivocadas. E isto por meio de personalidades influentes, auto intituladas eruditos e mestres.
Vamos aqui devidamente esclarece-lo fornecendo respostas para pelo menos oito perguntas que ele sugere.
Vejamos o conteúdo das mesmas. 
(1) Este selo, idêntico aos que o precedem, também diz respeito a um período na historia? 
(2) Se sim, onde ele se localiza? 
(3) Onde se acha o altar sob o qual viu João estarem aquelas almas? 
(4) Que são estas almas e qual é sua real condição? 
(5) Que é o significado do seu clamor por vingança? 
(6) Que significam as vestes brancas lhes sendo dadas? 
(7) Quando repousam repousam por um pouco de tempo? 
(8) Que significa seus irmãos serem mortos como eles próprios o foram? 
Sem haver conclusões óbvias pertinente a cada uma destas indagações em particular, torna-se impossível o deslindamento do texto sem probabilidade de incorrer-se em erros interpretativos graves, induzindo às tantas explanações desencaminhadoras espalhadas e absorvidas.

Para resposta às perguntas (um) e (dois), iniciamos pontuando que o selo precedente terminou referindo-se a sucedidos localizados na terra, isto é primordial que se entenda.
Ora, se todos os acontecimentos revelados nos primeiros quatro selos se complementam historiograficamente, é natural que o quinto seja uma sequência óbvia dentro desse método expositivo, e, portanto, obrigatoriamente precisa ser instalado sequencialmente a partir do fechamento do último, e geograficamente no mesmíssimo local.
O sexto selo expõe lances subsequentes: "vi quando o Cordeiro abriu o sexto selo, e sobreveio grande terremoto. O sol tornou-se negro como saco de crina, a lua toda como sangue, as estrelas do céu caíram pela terra, como a figueira, quando abalada por vento forte, deixa cair os seus filhos verdes" (Ap.6:12,13) Este se abre em sincronia aos  prenúncios de Jesus em Mateus 24:29: "E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas."
Concatenando as ideias: pouco depois de findar a perseguição papal circustancialmente decorrendo ao estabelecimento da reforma protestante, sinais de ordem cosmologica seriam avistados. Então por obviedade, a extensão do quinto selo, este a que estamos discorrendo, tem de coincidir com o movimento ocasionado pelo protestantismo, desde o momento em que começou a "minar" o anticristão edifício papal, em 1517, restringindo o poder perseguidor da igreja romana, e antes daqueles fenômenos na atmosfera acontecerem. Tema explanado em capítulo correspondente.

Com relação ao altar e as almas debaixo dele, (três) é imprescindível interpretarmos não se tratar de qualquer altar no céu, visto se tratar evidentemente do lugar onde estas vítimas foram mortas.
Foi mostrada a João uma visão simbólica onde ele viu um altar e debaixo dele as almas daqueles martirizados por sua dedicação á Palavra de Deus, representados como mortos há pouco, ultrajadas por aquele sistema de idolatria e corrupção, confirmando isto que os olhos do profeta se concentravam em cenas passadas exclusivamente na terra.
Sem dúvida este altar é simbólico.

Referente as perguntas (quatro, cinco e seis) estas almas, debaixo de um altar, se deflagra em figura popularmente considerada como prova de peso, na doutrina do estado desincorporado e consciente dos mortos.
Pretende-se que o texto se trate literalmente de pessoas desincorporadas, com conhecimento de tudo que se passava, pois clamavam por vingança contra os seus executores.
Dizemos novamente a estes que colocam estas almas posicionadas no céu, que o altar sobre o qual estas foram mortas e vistas sob ele, não pode encontrar-se lá.
O único altar no céu que se tem conhecimento na Bíblia, é o altar de incenso; mas não seria correto interpretar estarem debaixo dele vítimas recentemente mortas, porque este altar biblicamente não se destinava ou se consagrava a tal uso.
Também seria repugnante pensar em almas "acaçapadas", não é mesmo? 
Outra nota discordante, caso interpretássemos o texto literalmente, seria o fato de serem vistas clamando vingança contra seus algozes passados.
Poderíamos supor que a ideia de retaliação reine tão soberanamente nos Céus?
Que, obstante a alegria e glória deste inefável lugar, se encontrem insatisfeitos e constrangidos reivindicando revanche contra inimigos?
Não se teria antes motivos de alegrar-se no fato de a perseguição ter levantado a sua mão contra eles, levando-os isso á presença de seu Salvador, livrando-os de todos os riscos existentes no mundo aqui?
E além disso, a opinião popular que põe estas almas no céu, coloca ao mesmo tempo os ímpios num lago de fogo, eternamente se contorcendo em  indescritível tormento; isso tudo ás vistas das hostes celestes e do mais generoso, misericordioso, compreensivo, bondoso e sensível Ser que possa existir!!!
Quão pequenas são consideradas e avaliadas as virtudes e perfeição existentes Naquele que é a nossa esperança!!! 
Quão estreita é a visão de muitos com relação á Verdade de Deus.
Acatam falsos ensinos, componentes de um catecismo de mil e quinhentos anos, em detrimento a um profundo exame nas Escrituras Sagradas para confirmar se as coisas que acredita são de fato assim.
Tomam fora de contexto a narrativa do rico e Lázaro, contentando-se com aquilo que aparenta ser, sem buscar de verdade seu profundo sentido.
Como esta, por si só, se diz ser: Uma parábola!!!
Parábolas não podem ser interpretadas literalmente, bem como símbolos apocalípticos também. 
Vejam a incoerência: Estas almas, que aparecem sob o quinto selo, são pessoas mortas sob o selo precedente, dezenas de anos antes; algumas delas, centenas de anos antes.
Sem dúvida seus verdugos já tinham todos passado deste estado de ação e, de acordo a aludida opinião da imortalidade da alma, deveriam encontrar-se todos aqueles sofrendo os tormentos do inferno á vista de seus olhos...Como se não satisfeitas com isso, ainda clamam a Deus como se Ele estivesse retardando a vingança sobre seus assassinos...Mas que vingança maior ainda pleiteariam?                    Mas insiste-se no pressuposto que estas almas são conscientes, porque clamam a Deus. 
Este argumento teria peso se não houvesse na Bíblia uma figura de retórica chamada personificação. 
Como, em certas circunstâncias, atribui-se vida, ação e inteligência para objetos inanimados: O sangue de Abel que clamava a Deus desde a terra (Gn.4:9,10)  A pedra que clamava da parede e a trave que lhe respondia (Hc.2:11)  O salário dos trabalhadores que, retido por fraude, clamava a Deus (Tg.5:4) 
Deste modo podem clamar a Deus as almas mencionadas no texto sem interferir no fato de não serem elas conscientes.
Em passagens como esta, o leitor pode ser desorientado pela definição popular da palavra "alma", mas deve buscar na Bíblia seu verdadeiro sentido.
Abordaremos este tema, um dia destes.

Em resposta a pergunta (sete) as vestes brancas foram-lhe dadas como resposta ao seu clamor por "vingança" pelo sangue que verteram.
Tinham descido a sepultura do modo mais ignominioso.
Suas vidas tinham sido deformadas; sua reputação denegrida; difamados seus nomes; torcidos seus motivos e suas sepulturas cobertas de vergonha e opróbrio perante o mundo de então, como se abrigassem os desonrados restos de pessoas vis e desprezíveis.
A igreja de Roma não poupava esforços para tornar as suas vítimas um objeto de aversão e, se a Reforma Protestante não tivesse acontecido, certamente até aos dias de hoje aquele estigma haveria permanecido.
Através deste movimento reconheceu a humanidade quem na verdade eram os verdadeiros servos de Deus.
Neste sentido as vestes brancas correspondem aquele pedido e, o fato de receberem, seu cumprimento efetivo.
A cruel obra do romanismo não cessou por completo, mesmo depois de a Reforma ter se espalhado e se estabelecido.
A igreja de de Deus ainda devia experimentar não poucas  explosões de ódio e vingança da parte daquele ímpio sistema.
Multidões de pessoas haveriam de ser punidas ainda como heréticas e avolumar o grande exército de mártires, mas o espírito de perseguição estava finalmente restringido; a causa dos mártires vingada; e o pouco tempo do quinto selo e a resposta da (pergunta 8) prestes a terminar.
          


























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