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O QUE SIGNIFICA BLASFÊMIA CONTRA O ESPÍRITO SANTO?

"Portanto, eu vos digo: Todo o pecado e blasfêmia se perdoará aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada aos homens.
E, se qualquer disser alguma palavra contra o Filho do homem, ser-lhe-á perdoado; mas, se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste século nem no futuro." (Mt.12:31,32)

Ponto um: na hierárquica tríade: Pai, Filho e Espírito Santo, uma posição sobrepõe-se à outra?
Ponto dois: três pessoas na trindade constitui-se em composição de uma única entidade?
Ponto três: o Espírito Santo é um ente racional e autônomo ou um fluxo direcionável de energia? Ponto quatro: qual a função do Espírito Santo? Ponto cinco: porque a blasfêmia contra o Espírito Santo reverte-se em penalidade capital?Preposições evidenciadas a seguir.

É imperativo compreender as mórbidas circunstâncias envolvendo a conjuntura do tecido social humano; e porque  situação nesse molde se desenvolveu atingindo implacavelmente seus membros. Violência; miséria; imoralidade; ideologias de toda sorte... Desatinos mentais, uma vez que discernimento honesto jamais admitiria ocorrências sabidamente incompatíveis com comportamento superior, engajando esforço conjunto em prol de uma confraria transcendental.  
Para se entender de modo claro as causas destes malogros, faz-se necessário remete-las ao seu início, onde passaram receber qualitativo.          O reino da luz compõe-se em justiça integral:  irrevogável, incorruptível, ampla e imparcial. Tem como mentor o sempiterno e todo poderoso Deus nas alturas. 
Em algum tempo no passado, Lúcifer intentou desempossar do trono a Majestade do universo, empregando a ardilosa estratégia, inclusive também usada nesse mundo, que descredibiliza o oponente atacando e manchando-lhe a reputação. Embora não tenha obtido pleno êxito no céu, conseguiu aliciar ao seu projeto malfeitor grande número de seres angelicais. Cabe lugar aqui para certas considerações importantes. Uma, em especial, demonstra o ódio maior de Satanás dirigido ao Filho do Altíssimo mais que para qualquer outra pessoa, e também o grande anseio em destruir os seres humanos exatamente por serem alvo de incomensurável amor da parte do glorioso Príncipe Miguel. O inimigo sabe que, atingindo-os, também atinge Aquele disposto a resgata-los. Então lhes execra e persegue. Outro aspecto decisivo no referido contexto leva-nos decifrar o paradoxo dos sofrimentos assolando brutalmente os habitantes da terra, como por exemplo o cenário das terríveis enfermidades acometendo frágeis criaturas mortais. É comum a perplexidade gerada ante um leito de agonia. Afloram os questionamentos sobre como um Deus de compaixão pode consentir com lancinantes aflições, culpando-o e, portanto, responsabilizando-o pelas tais. Diante de momentos angustiosos vem mesmo a suspeita de porque o Senhor não toma providências  erradicando logo o mal, e a resposta concreta, por mais que pareça despropositada e até mesmo absurda, atesta que Ele não pode intervir para mudar esse panorama devastador. Isto mesmo! O Senhor não pode fazer nada. Mas por qual razão? Afinal, não é Ele autoridade máxima no universo? Sim. De fato. É ele supremo absoluto. Mas também precisa responder à justiça constituindo Seu governo. Numa breve síntese esboçaremos o pleito do dragão dando corpo a peleja travada no céu. (Ap. 12:7) Argumentava que a ordem universal, sob seu comando, seria aprimorada, pois o Senhor decretava leis arbitrárias preservando cativos todos os seus agregados. Inseriu dúvidas na mente dos anjos a respeito da conduta divina. Se o Senhor destrói o inimigo nesse momento, a malevolência semeada resultaria em caos e desarranjo total. Os contenciosos foram então expulsos do paraíso, e logo após o planeta terra ser inaugurado, o mal dirigiu-se para cá afim de transtornar essa obra perfeita, e infelizmente conseguiu! Quando o homem pecou, aliando-se ao diabo e transgredindo a lei dos céus, esta, por justiça imparcial requeria penalidade ao antagônico delinquente. Perceba, querido leitor, a maligna trama tecida pelo arqui rival de Jesus: se naquela ocasião Deus consome os infratores em preservação da constituinte celestial, a ilação satânica seria tido por confirmada, pois esta sustentava ser o Pai um tirano ditador; criando jurisprudências compulsórias e eliminando impiedosamente qualquer que às mesmas não se submete-se. Se o Excelso Deus de bondade perdoasse o pecador, de alguma forma contemporizando com o crime, segue-se também então que o diabo estava certo quando declarava  imperfeitas as supernas preceituações celestiais, e o Legislador lhes instituindo cambaleantes de alguma maneira se inclinava a corrupção. Entendeu, amado leitor, a gravidade nesta causa? Respeitosamente falando, foi o justo Deus "emparedado", colocado num beco sem saida. E quais foram as medidas adotadas? Se decidiu estender um prazo de seis mil anos para o livre trânsito do pecado. Neste período se haveria de expôr os efeitos da governança satânica, caso este tivesse alcançado o supremo posto administrativo. Portanto, o catastrófico pandemônio nesse mundo, com todos os seus agravantes: sejam as terríveis moléstias e chagas; a violência dos crimes motivados por ambição e maldade; a indolência do coração incompreensivo e justiceiro; a rebeldia e  insurreição contra  valores e virtuosidades; o desprezo contra honra e dignidade, são ocorrências permitidas acontecerem afim de que os homens discirnam entre bem e mal, entre luz e trevas, entre verdade e mentira, entre justiça e crime, entre amor e ódio, entre Deus e o diabo. 
Um plano de restauração do planeta foi pré-traçado. Nele também inserido um meio de absolver os transgressores humanos sem prejuízo à celeste lei de amor e justiça. Nesse quadro, dois aspectos: um, a imutabilidade dessa lei, pois se houvesse perspectiva passível de mudanças aos seus atributos Jesus não precisaria ter morrido afim de expiar a sua violação, e também específicas incumbências recaindo sobre seus desenvolvedores possibilizando assim que um complexo círculo se fechasse em incontestável perfeição. Ao Pai coube o lugar de árbitro da causa, julgando-a em legitimidade, garantindo  legalidade no processo; a lei permaneceu como promotor de justiça em defesa da jurisprudência de santidade no céu; o Filho é advogado de defesa; o inquérito são os livros de registros existindo no santuário celestial; aos anjos a responsabilidade de garantirem aos homens o exercício do seu livre arbítrio, impedindo Satanás de controlar  suas decisões; e ao Espírito Santo a obra de conselheiro, instrutor e desobstruidor do agente cognitivo. 

Jesus, pouco antes de ascender ao alto, prometeu aos discípulos a substituição da Sua presença pela atividade do Espírito chamando-O de consolador. "E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que esteja convosco para sempre" (Jo. 14:16) Este, com um encargo definido: "quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir"
(Jo.16:13) Com base na seguinte metodologia pedagógica: "Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo: do pecado, porque não creem em mim; da justiça, porque vou para o Pai, e não me vereis mais; do juízo, porque o príncipe deste mundo já está julgado." (Jo.16:8-11) Portanto, toda convicção acerca da obra da redenção somente é possível ser formulada em fidedignidade através da operação do Espírito Santo. Ele não somente orienta mas também possibilita atestação de genuinidade à fé exercida pelo aspirante ao céu, plenamente identificando-a em paralelo cabal aos ensinos contidos nas Escrituras, redundando no ser apto para ingressar na eternidade. É a rejeição do labor lhe competido o que posiciona o homem distante do alcance da remissão em Jesus e Sua verdade, como está escrito: "Dos justos não tira os olhos; antes, com os reis, no trono os assenta para sempre, e são exaltados. Se estão presos em grilhões e amarrados com cordas de aflição, Ele lhes mostra o que fizeram e as suas transgressões, que se comportaram com soberba. Abre-lhes também os ouvidos à correção e ordena que se convertam da iniquidade. Se ouvirem e o servirem, acabarão seus dias em prosperidade e os seus anos em delícias. Mas, se não ouvirem, serão transpassados à espada e morrerão na sua cegueira" (Jó 36:7-12) Percebeu, amigo ledor, o significado do termo "blasfêmia" emitida contra o Santo Espírito? Cerrar as portas para Ele implica em obstrução do discernimento que possibilitaria enxergar as manobras do mal, sorrateiramente tentando enredar a percepção sobre a integridade compondo o reino celestial. 

Com base nessa explanação depreende-se que Pai, Filho e Espírito Santo são entes pessoais e distintos, com posições equivalentes e intrínsecas num semelhante e único propósito. Ele, o Santo Espírito, nessa conjuntura, também é um Deus. A nós, humanos, nascidos, crescidos e educados num ambiente onde impera a desigualdade, torna-se missão quase impossível entender admitindo possibilidade de três pessoas pensarem, serem e agirem de modo rigorosamente equitativo. Mas é isso que as Escrituras ensinam sobre a divina trindade. São três seres constituintes de uma hierarquia que mesmo representando uma tripla escala de posições, estas tem o mesmo valor, significado e importância, exatamente porque pensam rigorosamente igual e tem os mesmos objetivos. Isaías recebeu uma visão do trono da glória, onde anjos entoavam cânticos de louvor numa tríade de pronúncias enaltecendo uma pessoa santa. ”No ano da morte do rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas de suas vestes enchiam o templo.
Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas: com duas cobria o rosto, com duas cobria os seus pés e com duas voava.
E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória"
(Is. 6:1-3) Em seguida, um daqueles seres dirige-se a ele nas seguintes palavras: "Depois disto, ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim.
Então, disse ele: Vai e dize a este povo: Ouvi, ouvi e não entendais; vede, vede, mas não percebais.
Torna insensível o coração deste povo, endurece-lhe os ouvidos e fecha-lhe os olhos, para que não venha ele a ver com os olhos, a ouvir com os ouvidos e a entender com o coração, e se converta, e seja salvo" (Is. 6:8-10) É possível saber quem falou com Isaías? Vejamos o que diz Paulo, o mais célebre teólogo da história, sobre esse caso: "E, havendo discordância entre eles, despediram-se, dizendo Paulo estas palavras: Bem falou o Espírito Santo a vossos pais, por intermédio do profeta Isaías, quando disse: Vai a este povo e dize: Ouvindo, ouvireis e de maneira nenhuma entendereis; vendo, vereis e de maneira nenhuma percebereis. Porque o coração deste povo se tornou insensível; com os ouvidos ouviram tardiamente e fecharam os olhos; para que não vejam com os olhos, nem ouçam com os ouvidos, nem entendam com o coração, nem se convertam, e eu os cure"  (At.28:25-28) O texto é explícito, não dando margem para dúvida, que o Espírito Santo também é um Deus; pessoal, com vontade própria e autoridade para tomar decisões.

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