A Metamorfose do Engano, a Métrica do Poder e a Imagem da Besta I. A Pureza do Íntimo e a Corrupção do Olhar Observemos uma criança em sua espontaneidade original. Ela fala o que sente, porque o seu interior ainda não aprendeu a arte do disfarce. Nele, a palavra e o sentimento formam uma unidade indivisível; o som que ecoa de sua boca é o reflexo exato do que habita o seu íntimo. Para a mente pura, a mentira é uma engrenagem desconhecida. Contudo, à medida que esse indivíduo é tragado para o sistema das relações adultas — um ambiente estruturado sobre vaidades, conveniências e disputas de poder —, o seu interior começa a ser moldado pelo contágio da falsidade. O que muda não é apenas o vocabulário, mas a própria substância do coração. A mente perde a transparência original e passa a abrigar o cálculo. É exatamente este o princípio que rege o fenômeno da mentira: a boca é o absoluto "alto-falante da alma" . A ação verbal não é ...
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