I. A Fábrica de Peças Desde o alvorecer da infância, a mente humana é moldada como o barro nas mãos de um oleiro invisível — não o Criador, mas as engrenagens do sistema. Ensinam-lhe a cartilha perfeita: estudar para passar, passar para formar-se, formar-se para vencer, vencer para ser alguém. A prioridade máxima da existência é reduzida a um crachá, a uma profissão, a uma peça que se encaixe perfeitamente no grande relógio social. Os valores ontológicos e espirituais — a essência inata e perpétua com a qual fomos chamados à existência — são relegados ao rodapé da vida. Tornam-se um passatempo para os raros momentos de folga da mente, como quem contempla a paisagem pela janela de um trem em alta velocidade, sem nunca pertencer à terra que vê. Nesse desvio de rota, instala-se a grande e enganosa contradição de nossos dias: a inversão sagrada. Os pais, exaustos ou capturados pelo próprio ritmo do sistema, abrem mão do dever primordial e transferem a alma dos filhos p...
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