Mudam-se os séculos, reescrevem-se os códigos sociais e alternam-se as tecnologias, mas a anatomia da alma humana permanece intacta. Continuamos caindo nas mesmas armadilhas, alimentando os mesmos vazios e nos curvando aos mesmos autoenganos. Observar a vida como ela é exige a coragem de encarar que, sob a casca da modernidade, nossas feridas essenciais são rigorosamente as mesmas. Na Antiguidade, a história de Naamã e Eliseu desenha um quadro de lucidez cristalina sobre laços profundos da nossa existência. De um lado, Naamã: o comandante glorioso, coberto de honras e medalhas, cujas metas e objetivos eram calcados na ostentação, no efêmero e na validação dos sentidos. Do outro lado, Eliseu: desprovido de aparatos externos, fundamentado na simplicidade, orientado pela razão e por um intelecto visceralmente conectado à alma. A diferença fundamental entre eles não era o poder material, mas a lucidez: Eliseu sabia onde pisava e onde queria chegar; Naamã deixava a vela do bar...
A LUZ QUE ILUMINA O SABER